Defesa de Elize pede a exumação do corpo do executivo Marcos Matsunaga

Intenção dos advogados é mostrar que Matsunaga já estava morto quando foi esquartejado por Elize, o que excluiria pelo menos uma das qualificadoras do crime

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A defesa da bacharel de direito Elize Araújo Kitano Matsunaga pediu à Justiça, nesta terça-feira, a exumação do corpo do executivo Marcos Kitano Matsunaga. Segundo os defensores, há dúvidas se a ré esquartejou o marido quando ele ainda estava vivo. O crime aconteceu em 19 de maio, no apartamento do casal, na Vila Leopoldina, na zona oeste de São Paulo.

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Elize Matsunaga, mulher do executivo assassinado

A intenção da defesa é mostrar que Matsunaga já estava morto quando foi esquartejado por Elize, o que excluiria pelo menos uma das qualificadoras do crime (assassinato cometido por meio cruel), reduzindo a eventual pena da ré. No laudo necroscópico, o perito Jorge Pereira Oliveira afirmou que houve asfixia em razão da degola, o que aponta que Matsunaga estaria vivo quando Elize iniciou o esquartejamento.

O advogado de defesa, Luciano Santoro, afirmou que há contradições entre o laudo necroscópico, a certidão de óbito de Matsunaga e o depoimento do perito, que impossibilitaria uma conclusão definitiva se houve ou não uma fratura no crânio da vítima, provocado pelo tiro da pistola calibre 380 de Elize. "Se houve fratura na base do crânio, ele morreria imediatamente. Todas as doutrinas dizem que o tempo de vida dele não passaria de dois ou três segundos", afirmou a assistente de defesa, Roselle Soglio.

O promotor José Carlos Cosenzo discorda da exumação, mas não impedirá que seja realizada caso seja necessária, justamente para que não paire dúvida sobre o que de fato aconteceu. "Acho que Matsunaga já foi morto uma vez e vai ser morto novamente sendo exumado. A família vai passar por outro dissabor, outro vexame, sem a necessidade disso."

A Justiça decidirá se haverá ou não a exumação após o parecer do promotor e do assistente de acusação, o advogado Luiz Flávio D'Urso.

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Babá
Na audiência desta terça, realizada no Fórum Mário Magalhães, na Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, foi ouvida a babá da filha do casal, Mauricéia José Gonçalves, de 42 anos. A testemunha pediu que Elize fosse retirada da sala durante o seu depoimento. "Perguntei por que ela não queria ser ouvida na frente de Elize, e ela respondeu de forma bem singela: 'eu tenho medo'. Medo do quê? 'Doutor, se ela fez aquilo com o marido dela, o que ela não pode fazer comigo?' Foi essa a resposta dela", disse Cosenzo.

Segundo o promotor, a babá contou que Matsunaga tratava Elize como uma princesa e que só acompanhou a patroa a um hotel com a filha do casal quando ocorreu uma reforma no apartamento. Ela disse também que, no dia em que foi assassinado, o executivo foi até o aeroporto buscar a mulher e que estaria nervoso porque estava atrasado para um compromisso. Mauricéia relatou ainda que nunca presenciou ameaças ou discussões entre o casal, segundo o promotor.

A defesa diz que a babá afirmou ter presenciado brigas rotineiras nos três meses anteriores à morte de Matsunaga. Santoro viu com estranheza o depoimento de Mauricéia, que trabalha atualmente para os pais do executivo e que, segundo ele, teria medo de perder o emprego. "Não é em todo lugar que ela vai conseguir um emprego de R$ 3.500 por mês, mais R$ 750 por fim de semana."

Uma nova audiência será realizada no dia 30 de janeiro. Além de Elize, será ouvida a amante do executivo, Natália Vila Real Lima, que não compareceu nesta terça-feira ao fórum . De acordo com seu advogado, Roberto Parentoni, ela tem interesse em dar a sua versão sobre o caso. A previsão é que Elize vá a júri apenas no segundo semestre do ano que vem.

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