Novo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella toma posse

O ex-procurador-geral de Justiça assume o lugar de Antonio Ferreira Pinto após aumento de criminalidade no Estado

Daniel Marques - iG São Paulo | - Atualizada às

Futura Press
Fernando Grella Vieira toma posse como novo secretário de Segurança Pública de São Paulo

O novo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira, tomou posse na manhã desta quinta-feira em cerimônia realizada no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado. O ex-procurador-geral de Justiça ocupa o lugar de Antonio Ferreira Pinto , que pediu exoneração do cargo na quarta-feira.

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Grella assume em um momento delicado no combate à onda de violência que já deixou 53 mortos somente nos últimos sete dias. Combater os ataques a policiais será "um dos objetivos iniciais", disse o secretário. Afirmou também que irá enfrentar a criminalidade com inteligência e integração entre as forças policiais e vai estudar a possibilidade de mudar os comandos da Polícia Militar e da Polícia Civil.

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Em seu discurso, Grella afirmou que o combate ao crime organizado não pode ferir os direitos humanos. "Vou acabar com a noção equivocada de que o combate ao crime organizado e os direitos humanos são excludentes. O crime organizado ataca pelas costas, por isso é preciso planejamento e inteligência para combatê-lo", disse.

A cerimônia de leitura e termo de posse também foi marcada pelo tom emotivo do discurso de despedida de Ferreira Pinto, após dados da secretaria de Segurança Pública apontarem um crescimento de 114% no índice de homicídios dolosos na cidade de São Paulo .

"Quero agradecer a todos os governadores com quem trabalhei", afirmou Antonio Ferreira. "Estarei sempre à disposição do novo secretário, meu amigo e colega. A porta da secretaria é muito estreita, mas alta o suficiente para eu sair com a cabeça erguida", concluiu.

O ex-secretário Ferreira Pinto defendeu a atuação das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). Em sua administração, a corporação foi criticada por sua suposta truculência e ações questionáveis. "Me orgulho de prestigiar a Rota", afirmou.

O governador Geraldo Alckmin, presente na cerimônia ao lado do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, o deputado Barros Munhoz (PSDB), e da secretária de Justiça, Eloisa de Sousa Arruda, fez um breve pronunciamento, uma vez que embarca para Brasília para participar da cerimônia de posse do ministro Joaquim Barbosa, novo presidente do Supremo Tribunal Federal.

"Quero parabenizar o ex-secretário pela dignidade no trabalho", disse Alckmin. "É grave quando policiais são atacados covardemente. É o própio Estado que está sendo atacado. E o Estado não irá se acovardar. Nós vamos vencer, como sempre vencemos."

A notícia sobre a saída de Ferreira Pinto já era conhecida desde terça-feira dentro do governo, segundo apurou o iG . A mudança foi comunicada à cúpula da administração paulista, enquanto prosseguiam as conversas para a substituição na secretaria.

Na semana passada, Alckmin chegou a dizer que não tinha intenções de alterar a cúpula da Secretaria de Segurança Pública em decorrência da onda de criminalidade. O governador, no entanto, já acumulava desgastes anteriores com Ferreira Pinto, que integrou também as administrações dos ex-governadores José Serra e Claudio Lembo, no comando da Administração Penitenciária.

Violência

O crescimento do número de homicídios foi confirmada pela divulgação das Estatísticas Mensais da Criminalidade, contabilizadas pela Coordenadoria de Análise e Planejamento (CAP) da Secretaria da Segurança Pública (SSP). Em outubro, o número de vítimas de homicídios mais que dobrou na cidade de São Paulo se comparado com o mesmo mês de 2011.

De acordo com o balanço, a capital teve 114% mais vítimas de homicídios dolosos que o mesmo período do ano passado. O número de assassinados passou de 82 para 176.

No acumulado do ano, o Estado de São Paulo registrou alta de 11,62% no número de homicídios entre janeiro e outubro – na comparação com o mesmo período em 2011. Foram 3.834 casos contra 3.345 registros.

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