PM determina prisão de policiais suspeitos de executar servente

Cinco policiais, que não tiveram o nome identificado, foram filmados com vítima ainda viva em frente à sua casa.

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A Polícia Militar determinou no domingo (11) a prisão administrativa de cinco policiais suspeitos de executar o servente Paulo Batista do Nascimento, de 25 anos, na manhã do sábado (10) no Campo Limpo, zona sul. Imagens exibidas pelo Fantástico, da TV Globo, mostram uma viatura da PM parada na frente da casa da vítima. Eles conduzem Nascimento - que pede "pelo amor de Deus" para não ser levado - e batem nele. Em seguida, ouve-se um tiro e alguém dizendo: "Matou o cara, matou o cara".

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No boletim de ocorrência, policiais dizem que a morte ocorreu após perseguição de três homens que teriam atirado contra a viatura. Em nota, o comandante da PM, Roberval Ferreira França, considerou o caso "lamentável" e disse que a Corregedoria apura a ocorrência. 

Mais violência em São Paulo

A cidade de São Paulo e região metropolitana tiveram outra noite de violência. Ao todo, entre a noite de domingo (11) e madrugada de segunda-feira, dois ônibus foram incendiados, seis pessoas foram baleadas e três morreram.

O primeiro caso de ônibus incendiado foi registrado na avenida Maria Amália Lopes Azevedo, Vila Albertina, zona norte de São Paulo. O segundo caso ocorreu em Guarulhos. Ninguém ficou ferido e não há informações sobre os criminosos.

As três vítimas fatais registradas nesta noite moravam em Guarulhos. Segundo a Polícia Militar, os ataques ocorrem em dois bairros da cidade, em Santa Emilia e São João Batista. Em uma das ocorrências, cinco homens encapuzados atiraram contra pessoas na rua do Povo.

Violência "sob controle"

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) voltou a afirmar no domingo (11) que a violência em São Paulo está sob controle, apesar de a Região Metropolitana ter registrado pelo menos 25 mortes entre a noite de sexta-feira (9) e a de ontem - só de sábado para domingo foram 17.

Sem determinar prazos, Alckmin ainda disse que a polícia já venceu o crime organizado no passado e vai vencer novamente.

Ao comentar a onda de violência que assusta São Paulo, o governador pediu que as pessoas confiem na polícia paulista, que classificou como a mais bem preparada do País.

"Temos a melhor e a maior polícia do Brasil, com 135 mil policiais extremamente bem treinados. Além de alta tecnologia", afirmou.

Segundo Alckmin, a parceria estabelecida com o governo federal - que será oficializada nesta segunda-feira com a assinatura de um protocolo de ações com representantes o Ministério da Justiça - deixará o Estado mais preparado para enfrentar o crime organizado.

Ele listou três medidas que considera essenciais para atingir esse objetivo: a remoção de líderes de facções para presídios fora de São Paulo, a criação de uma agência de inteligência integrada, que combaterá pontos estratégicos do tráfico, e o fortalecimento do Instituto de Criminalística (IC), para pesquisar o "DNA" da droga que sustenta o crime organizado.

Sobre os casos de violência praticados por policiais militares, o governador afirmou que todos os episódios serão investigados pela Corregedoria e pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que registra as chamadas "resistências seguidas de morte".

Alckmin não quis comentar o caso envolvendo o soldado Edcarlos Oliveira, que foi preso em flagrante na madrugada de sábado (10) após ser acusado de assassinar, por engano, dois homens em São Mateus, na zona leste da capital. Disse apenas que a polícia cumpriu seu papel ao prendê-lo.

Para o governador, no entanto, denúncias sobre a existência de grupos de extermínio dentro da Polícia Militar merecem cautela. "Há muitos aproveitadores fazendo notícias falsas", afirmou sobre supostas ameaças de PMs a jovens que moram na periferia da capital. 

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