Em nova noite de violência, São Paulo tem mais 5 mortes e ônibus incendiado

Policial militar foi preso após matar dois homens ao pensar que seria atacado num semáforo da região de São Mateus, zona leste da capital

Agência Estado |

Agência Estado

Em mais uma noite de homicídios, cinco pessoas foram mortas a tiros e duas ficaram feridas na região metropolitana de São Paulo num intervalo de cinco horas, entre as 20h30 de sexta-feira e a 1h30 da madrugada deste sábado.

Duas das vítimas, patrão e empregado, foram mortas por um policial militar que pensou que seria atacado num semáforo da região de São Mateus, na zona leste da capital. Também na zona leste, um ônibus foi assaltado e incendiado por um grupo de jovens.

Leia também: Em 14 horas, 13 pessoas são mortas durante ataques na Grande SP

Futura Press
Policial atirou contra dois homens na Rua Gaia, em São Mateus

O soldado da Polícia Militar Edcarlos Oliveira foi preso em flagrante, na madrugada deste sábado, acusado de matar dois ocupantes de um Fiat Fiorino ao pensar que seria atacado pelos suspeitos na esquina da Rua Gaia com a Avenida Arquiteto Vilanova Artigas, região de São Mateus, na zona leste da capital paulista. As vítimas eram patrão e empregado que voltavam da empresa, localizada a cerca de 1 quilômetro do local.

O soldado, segundo a polícia, está na corporação há 14 anos e atua na região da Penha, também na zona leste. No momento em que atirou contra as vítimas, estava acompanhado da esposa e do filho, de 1 ano e meio. Segundo relato de uma testemunha que passava pelo local, o Fiat Fiorino teria avançado o sinal vermelho e de repente parou, interrompendo parcialmente a passagem do veículo conduzido pelo soldado.

Ainda segundo a testemunha, Edcarlos conseguiu desviar, passou pelo Fiat, mas retornou, sacou uma pistola e atirou contra Jefferson de Oliveira, de 27 anos, dono de uma empresa de polimento de peças de metal, e Renato da Silva Ferraz, 22, que todos os dias pegava carona com o empresário. Mesmo encaminhadas para o pronto-socorro Sapopemba, as vítimas não resistiram aos ferimentos e morreram.

Após atirar, o policial deixou o local em seu veículo e, de outro endereço, ligou para os colegas informando que havia acabado de atirar contra dois homens que teriam fechado seu carro para tentar assaltá-lo ou matá-lo. No local dos tiros, nenhuma das cápsulas da pistola calibre ponto 40, da PM, utilizada pelo policial foi encontrada.

Aos policiais militares que foram até o local de onde o policial ligou, Edcarlos mostrou uma arma, de brinquedo. Segundo o soldado, ela estava em poder de um dos suspeitos, que a teria apontado contra o policial no momento em que ele passou ao lado do Fiat.

Leia também: Promotores pedem isolamento de cúpula do PCC em prisões federais

A primeira informação que chegou ao Setor de Comunicação da Polícia Militar no começo da madrugada era que o policial militar teria reagido a uma tentativa de assalto. Levado para o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o soldado foi autuado em flagrante por duplo homicídio doloso, quando há intenção de matar.

A polícia agora tentará descobrir se realmente a arma de brinquedo estava com os dois rapazes que foram mortos e quem recolheu as cápsulas do local do crime.

Residência

Um homem de 53 anos foi morto com um tiro na cabeça, por volta das 23h no interior da casa da ex-mulher, na Rua Paulo de Morais, na Vila Morais, próximo à Avenida do Cursino, na zona sul da capital paulista. O assassino continua foragido.

Divorciado, o senhor aproveitou a viagem da mulher, uma jornalista, para Manaus, e foi para a casa dela passar alguns dias com os filhos. No fim da noite, um homem apareceu e teve o portão aberto pela empregada após autorização do patrão, pois era um amigo dele e a visita, ao que tudo indica, já era esperada.

Do andar superior da casa, a empregada escutou um tiro minutos depois dos dois homens iniciarem a conversa na sala. Ao descer, encontrou o patrão sozinho e baleado. A vítima morreu no local. Em estado de choque, a mulher foi levada para o pronto-socorro Ipiranga e era aguardada na delegacia para prestar depoimento.

Não se sabe se os filhos da vítima estavam na casa no momento do crime, que foi registrado no 26º Distrito Policial, do Sacomã, e será investigado pelo DHPP.

Outros homicídios

Foram registrados também outros dois homicídios, um no Jaçanã, zona norte da capital, e outro em Itaquaquecetuba, região leste da Grande São Paulo. Por volta das 23h30, policiais militares da 1ª Companhia do 43º Batalhão foram até a Rua São José de Sezerdelo, no Jaçanã, após moradores ouvirem vários tiros. Ao chegar ao local, encontraram um homem baleado.

Mesmo encaminhada para o pronto-socorro do Jaçanã, a vítima acabou morrendo. A polícia ainda apura se no local onde ocorreu o homicídio funciona um ponto de venda de drogas. O caso foi registrado no 73º Distrito Policial e será investigado pelo DHPP.

Já na madrugada deste sábado, um homem foi morto e outro baleado na Rua Cianorte, no Jardim Luciana, em Itaquaquecetuba. Nas mesmas circunstâncias do ocorrido no Jaçanã, a PM foi acionada e encontrou no local uma das vítimas já morta. A outra foi levada para o pronto-socorro do Hospital Santa Marcelina e permanecia internada segundo a PM.

Tentativa

Também nesta madrugada, um homem que caminhava pela Rua Graciosa, próximo à Praça da Moça, região central de Diadema, no ABC, foi baleado por dois ocupantes de uma moto.

Segundo a polícia, a dupla passou ao lado da vítima, mas decidiu retornar. Na sequência, um dos desconhecidos sacou a arma e atirou, atingindo a vítima nas nádegas.

Não se sabe ainda o que motivou a tentativa de homicídio, que foi registrada no 1º Distrito Policial de Diadema.

Ônibus

Um ônibus da Viação Novo Horizonte foi sequestrado, assaltado e incendiado por um grupo de criminosos na madrugada deste sábado, no Jardim São Pedro, região de Itaquera, na zona leste de São Paulo.

O coletivo, que fazia a linha 3759 (Jardim São Pedro - Tatuapé), foi abordado por um veículo de passeio num dos semáforos na Avenida Jacu-Pêssego. Três jovens, aparentemente menores, um deles armado, desceram do carro e obrigaram o motorista a abrir a porta para que eles entrassem.

Na sequência, o trio ordenou ao motorista, agredido a tapas, que saísse do itinerário. Nas proximidades do nº 1.620 da Rua Jardim Tamoio, próximo ao Conjunto Habitacional Itaquera IV, no Jardim São Pedro, outro grupo já esperava pelo coletivo, que foi novamente invadido e incendiado após os bandidos roubarem cerca de R$ 100 da catraca.

O cobrador e o motorista, os únicos que ocupavam o ônibus no momento do ataque, escaparam ilesos e registraram boletim de ocorrência no 103º Distrito Policial, da Cohab José Bonifácio. Nenhum suspeito foi detido.

    Leia tudo sobre: ataquesnoite violentaexecuçõessão pauloataquesapolícia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG