Promotor e família do coronel Ubiratan querem novo júri para Carla Cepollina

Acusação deve apresentar recurso nesta sexta-feira declarando que houve "absolvição contrária às provas dos autos"; advogada foi absolvida por júri popular na quarta (7)

iG São Paulo |

O Ministério Público e a família do coronel Ubiratan Guimarães vão tentar anular o julgamento que inocentou sua ex-namorada , Carla Cepollina, de 47 anos, da acusação de matá-lo, em setembro de 2006. Vicente Cascione, que atuou no caso como assistente de acusação, afirmou que um recurso será apresentado nesta sexta-feira. O pedido tem o apoio do MP.

Mais:  Carla Cepollina é absolvida da morte do ex-coronel Ubiratan

O promotor de Justiça João Carlos Calsavara informou ontem que também vai tentar modificar a sentença. O argumento terá base em três supostas falhas: absolvição contrária às provas dos autos, cerceamento da acusação e nulidade processual.

Tonny Campos/Futura Press
Ela foi declarada inocente pelo júri popular realizado no Fórum Criminal da Barra Funda, em SP


Coronel da reserva da Polícia Militar, Ubiratan Guimarães foi encontrado morto na sala de seu apartamento nos Jardins, zona sul, com um tiro no abdome. Depois disso, apenas Carla foi apontada como suspeita do crime.

"Se o Tribunal de Justiça acolher o recurso da acusação, temos a possibilidade ainda de ir a Brasília para impedir um novo júri", afirmou Eugênio Malavasi, assistente da defesa. Mas, como as provas não serão alteradas, o defensor acredita que as chances de novo julgamento são improváveis. Ele ainda ressalta que Carla já chegou a ser impronunciada por falta de provas.

Julgamento

O júri da advogada durou três dias foi realizado Fórum Criminal da Barra Funda. Por falta de provas, os jurados decidiram que ela é inocente. No primeiro dia do julgamento (5), Carla foi expulsa do plenário após interromper o depoimento do delegado da Polícia Civil Marco Antonio Olivato, uma das testemunhas do caso. 

No segundo dia de júri, Carla negou a autoria do crime e chegou a apontar um assessor de Ubiratan, que também já morreu, como o autor do assassinato. No último dia, a defesa e acusação realizaram os debates e apresentaram suas teses sobre o crime.

Os advogados de Cepollina reforçaram tese de crime político,apresentada na terça em depoimento. Segundo ela, o coronel foi morto depois que ela deixou o apartamento dele há seis anos, no dia 9 de setembro. Carla afirmou ainda ter deixado o apartamento de Ubiratan no dia do crime porque ele havia bebido e estava deitado na cama, dormindo.

Ubiratan ficou conhecido por ter comandado a invasão do Carandiru em 1992, provocando 111 mortes no Pavilhão 9. Em 2001, ele foi condenado a 632 anos de prisão por comandar o massacre. Em 2006, mesmo ano de sua morte, ele foi absolvido pela Justiça. Ubiratan é o único condenado pelo massacre do Carandiru.

*com AE


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