Viagens de trem para Campos do Jordão são suspensas após acidente

Secretaria de Transportes Metropolitanos suspendeu por pelo menos 30 dias os passeios turísticos na Serra da Mantiqueira até que a sindicância seja concluída

Agência Estado |

Agência Estado

Depois do acidente que deixou três mortos e 40 feridos no último sábado, o governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Transportes Metropolitanos, suspendeu por pelo menos 30 dias os passeios turísticos na Estrada de Ferro Campos do Jordão (EFCJ), na Serra da Mantiqueira, no trecho entre Pindamonhangaba e Campos do Jordão, até que a sindicância seja concluída.

Adenir Britto/Vale Paraibano/Futura Press
Trem estava com 42 passageiros no momento do acidente; vítima disse que condutor tentou parar

Em conversa informal com os bombeiros, já na madrugada de domingo, o secretário de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, chegou a comentar sobre a necessidade de reforçar a segurança dos assentos ao assoalho do equipamento. Com o impacto da automotriz de prefixo A2 contra o barranco, praticamente todos os bancos foram arremessados para a parte da frente do veículo. Os assentos eram presos por parafusos e não tinham cinto de segurança.

Uma possível falha no sistema de freios tem sido apontado como o motivo do acidente, uma vez que os passageiros perceberam que o trem ganhava velocidade pouco antes da curva onde descarrilou.

Leia mais: Acidente com bondinho turístico deixa três mortos e 41 feridos em SP

Segundo Rubens Vockt Carvalho de Araújo, de 42 anos e um dos passageiros e marido da mulher grávida morta depois de dar entrada no hospital, o maquinista Luciano Silva teria se desesperado e gritado ao perceber a falta de freio no veículo.

Já o irmão de Luciano, o empresário Cristiano Silva, pediu cautela à imprensa na divulgação das possíveis causas do acidente. "Ele tem uma ideia do que possa ser, mas isso ele só vai dizer no inquérito", comentou. "Ele nasceu de novo. A cabine era a mais propícia à tragédia", disse Silva, afirmando que o maquinista apenas fraturou o braço direito e a mão esquerda. Ele não tem previsão de alta e continua em estado de choque, lamentando a morte da amiga e guia turística Sonia Maria de Oliveira, de 47 anos, que morreu no acidente. "A família está em oração e se compadece", frisou.

O maquinista nunca havia se envolvido em qualquer acidente e é considerado experiente e cauteloso, segundo o irmão, atuava há pelo menos 16 anos na Estrada de Ferro Campos do Jordão. Ele é a principal fonte para a sindicância e o inquérito policial que vão apurar as causas do acidente.

A automotriz envolvida no acidente estava em circulação desde 1924 e já passou por cinco reformas, sendo a última entregue oficialmente em julho. Segundo o governo do Estado, em 2011 e 2012 foram investidos R$ 14 milhões na restauração dos bondinhos e manutenção da EFCJ, que completará 100 anos em 2014.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG