Quadros pintados por Cabo Bruno na prisão vão a leilão em rede social

Iniciativa é da viúva do ex-policial militar Florisvaldo de Oliveira, condenado por comandar grupo de extermínio na década de 80; lance inicial é de R$ 350

iG São Paulo |

A partir das 12h desta quarta-feira, a viúva do ex-policial militar Florisvaldo de Oliveira - que nos anos 1980 ficou conhecido como o justiceiro Cabo Bruno e foi assassinado em 26 de setembro - vai realizar um leilão de cinco quadros feitos por ele na prisão por meio da rede social Facebook . O leilão deve seguir até as 23h, mas com possibilidade de ser prorrogado.

A iniciativa é da viúva de Oliveira, a pastora evangélica e cantora gospel Dayse França, que busca se reerguer com a família em outra cidade. Quando Cabo Bruno saiu da prisão, em agosto deste ano, passou a viver com a mulher e os três enteados em Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba.

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KATHIA TAMANAHA/AE
Foto tirada em 1999 mostra Florisvaldo com uma de suas pinturas em penitenciária de São Paulo


Os quadros foram encontrados no meio dos bens que ele deixou na Igreja Refúgio em Cristo, em Taubaté, onde passou a atuar como pastor no domingo anterior à sua morte. O lance inicial será de R$ 350. Segundo Dayse, Oliveira pintava réplicas e copiava os quadros de outros artistas. "Eu não sei o nome dos quadros e dos pintores que ele copiou. Vou ver se descubro até amanhã (hoje)." Para ver os quadros, clique aqui .

Execução

Pouco mais de um mês após ser libertado , o ex-policial militar foi morto a tiros na noite de quarta-feira, 26 de setembro, na cidade de Pindamonhangaba. Ele foi abordado por dois homens armados enquanto voltava de um culto evangélico na cidade de Aparecida.

LUCAS LACAZ RUIZ/AE/AE
Familiares participam de velório de ex-policial na Santa Casa de Pindamonhangaba

O crime aconteceu próximo de sua casa, por volta das 23h45, no bairro da Chácara Galega, 34 dias após Florisvaldo deixar a cadeia e dar continuidade, fora dela, à vida de pastor evangélico.

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A Polícia Civil investigava o caso e trabalhava com a hipótese de execução já que nada foi levado do ex-policial. "Segundo testemunhas, eram dois homens que chegaram a pé e atiraram somente contra ele (Florisvaldo). Não foi anunciado assalto. Havia um carro próximo do local, possivelmente utilizado pelos atiradores na fuga. Provavelmente foi um crime de execução", afirmou no dia o tenente Mário Tonini, da 2ª Companhia do 5º Batalhão da PM.

Esquadrão da morte

Preso na década de 80, o Cabo Bruno foi acusado de matar ao menos 50 pessoas, quando estaria no comando de um esquadrão da morte. Ele permanceceu preso durante 27 anos e cumpriu o período final no presídio de Tremembé. Nos anos de cárcere, Florisvaldo converteu-se ao cristianismo, tornou-se pastor evangélico e se casou.

A decisão: Justiça de São Paulo reduz pena e Cabo Bruno pode ser solto

De acordo com a sentença, o ex-policial militar foi condenado a 117 anos, quatro meses e três dias de reclusão. O agente militar foi preso em 26 de setembro de 1983. Ele foi solto após o indulto pleno, determinado na quarta-feira pela 2ª Vara de Execuções de Taubaté, que declarou extintas as penas privativas de liberdade e concedeu o alvará de soltura.

Durante o período de reclusão, a Justiça registrou três fugas, sendo a última recaptura em maio de 1991. Após cumprir 20 anos de prisão ininterrupta, o acusado adquiriu o direito de indulto, afirma o documento, no dia 29 de maio de 2011. Conforme a decisão, Oliveira havia se comportado bem durante o cumprimento da pena, sem cometer faltas disciplinares.

*com AE

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