Justiça propõe e metroviários votam suspensão da greve em SP nesta quarta

"Vamos levar essa proposta para a categoria avaliar. Se a greve for decretada, começa na meia-noite de quarta-feira para quinta", disse o presidente do sindicato do metroviários

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A audiência entre representantes do Metrô e dirigentes do Sindicato dos Metroviários de São Paulo acabou no final da tarde desta terça-feira sem acordo entre as partes. A proposta da desembargadora Rilma Hemetério, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região, é que os trabalhadores suspendam o aviso de greve por 20 dias. A decisão sobre a suspensão da greve será tomada na assembleia dos metroviários marcada para quarta-feira (03).

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Grande acúmulo de passageiros em ponto de ônibus em frente à Estação Conceição do Metrô, na greve de maio

Durante o prazo dado pela Justiça, empresa e trabalhadores devem negociar uma nova proposta. Na última quinta-feira, os metroviários haviam aprovado uma paralisação por tempo indeterminado a partir da próxima quinta-feira (07) .

"Vamos levar essa proposta para a categoria avaliar. Se a greve for decretada, começa na meia-noite de quarta-feira para quinta", disse o presidente do sindicato, Altino de Melo Prazeres Júnior. "O que queremos é resolver o problema. Não queremos prejudicar a população, nem fazer greve por greve", completou.

Na audiência, o advogado da empresa se comprometeu a negociar no prazo determinado, caso os trabalhadores aceitem em assembleia a proposta do TRT. As principais reivindicações dos metroviários são participação nos resultados (PR) igual para todos os funcionários e pagamento de parcela antecipada de abril de 2013 para outubro, além de melhoria na jornada de trabalho.

Na segunda-feira, a desembargadora Rilma Hemetério concedeu liminar atendendo pedido do Metrô para determinar que os metroviários mantenham 100% da operação em São Paulo nos horários de pico (entre 6h e 9h e entre 16h e 19h) e 90% nos demais horários, em caso de paralisação. De acordo com o Metrô, se houver descumprimento da decisão, a multa diária é de R$ 100 mil.

O TRT informou que, na audiência desta tarde, a desembargadora manteve a liminar. Isto significa que, caso os trabalhadores iniciem a greve ainda essa semana, deverão obedecer as determinações da Justiça de 100% de operação no horário de pico e 90% nos demais horários. Caso contrário, ficarão sujeitos a multa.

Em nota à imprensa, o Metrô afirma que está fazendo "tudo que está a seu alcance para evitar a paralisação, que é inútil para a categoria e cruel para a população de São Paulo" . A empresa alega ainda que "não se nega a negociar" e que se orgulha de ser "uma das que têm a melhor média salarial do Estado, além de uma extensa lista de benefícios oferecidos a todos os empregados".

PR proporcional

De acordo com o diretor de Comunicação do sindicato, Ciro Moraes, até 2007 a PR era distribuída linearmente entre os funcionários. "Em 2007, tivemos uma greve que foi retaliada pelo Metrô com demissões. O protesto dos trabalhadores era por conta da decisão de usar a proporcionalidade de 30% na participação dos resultados", disse. Segundo o sindicalista, desde 2008, a PR recebida pelos trabalhadores é de parcela fixa somada ao montante proporcional a 40% do salário.

Este ano, de acordo com o sindicato, o Metrô decidiu implementar PR proporcional a 100% aos engenheiros, 80% para empregados dos cargos de liderança e assessoria e 40% para os demais trabalhadores. "O Metrô quer privilegiar a alta chefia da empresa", comentou o presidente do sindicato nesta terça-feira.


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