Meninas são baleadas em abordagem da Polícia Militar em São Paulo

Segundo a polícia, meninas foram atingidas por estilhaços. Uma das feridas afirmou que, durante o socorro, um policial disse: "cala a boca filha, isso aí foi só um tirinho de raspão"

Agência Estado |

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Duas meninas foram baleadas por policiais militares durante uma abordagem em Campo Limpo, na zona sul de São Paulo, na noite desta quinta-feira (27). Uma garota de 14 anos foi atingida no nariz e deixou o Hospital Campo Limpo no mesmo dia, depois de ser medicada. Outra menor, de 11 anos, foi alvejada no olho e recebeu alta do Hospital das Clínicas na manhã desta sexta-feira.

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Em depoimento prestado no 47º Distrito Policial (Capão Redondo), os policiais disseram que as garotas foram atingidas acidentalmente por balas de borracha, depois de uma perseguição na região do Jardim Mitsunani.

Os PMs contaram que estavam fazendo uma patrulha no local quando avistaram dois homens com comportamento suspeito passando por uma viela, na rua Manoel de Oliveira Martini. Um dos policiais foi à pé ao encontro da dupla, enquanto o outro fez o cerco com a viatura. Nesse momento, segundo os PMs, uma outra dupla se aproximou em uma moto Honda CG preta. Os homens estavam de capacete e capa de chuva e o garupa estaria segurando um objeto similar a uma arma.

Um dos PMs - não identificado - atirou para desarmá-lo e atingiu as garotas, que estavam do outro lado, na rua Francisco Marins. Os homens fugiram e os policiais recolheram uma arma de brinquedo caída no chão. Não há informações sobre os suspeitos que estavam à pé.

Os policiais levaram as duas jovens ao Pronto Socorro Jardim Macedônia, de onde foram transferidas ao Hospital Campo Limpo. A jovem de 11 foi transferida ainda ao HC, onde ficou em observação. O caso foi registrado como lesão corporal.

Susto

Depois ouvir os disparos na rua, a mãe da garota de 11 anos disse que saiu de casa assustada e condenou a ação da polícia. "Eu não acreditei na cena que eu vi: as meninas baleadas, o policial com arma em punho pra mim como se eu fosse uma bandida", relatou a mãe. "Eu coloquei as mãos para cima, assustada, com medo de ser baleada também."

Segundo a garota de 11 anos, elas foram levadas sem os pais para o hospital. Dentro da viatura eu falava: cadê a minha mãe? Eu quero a minha mãe? Por que vocês machucaram a gente? O moço falou assim: cala a boca filha, isso aí foi só um tirinho de raspão", contou a garota.

A assessoria da Policia Militar foi procurada e não confirmou se as garotas foram levadas ao hospital sozinhas. Em nota oficial, a PM lamentou o ocorrido e disse que instaurou um inquérito para apurar os fatos.

"Por motivos a esclarecer, um dos policiais efetuou disparos contra os ocupantes da moto e os estilhaços atingiram as duas crianças que estavam do outro lado da rua", disse o comunicado, que termina dizendo que "a instituição é legalista, não compactua com nenhum tipo de irregularidade e apura com rigor qualquer desvio de conduta eventualmente praticado por seus integrantes".

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