Corpo de Cabo Bruno é velado em cidade do interior de São Paulo

Ex-policial foi acusado e condenado por liderar grupo de extermínio na década de 80. Ele foi morto na noite de quarta-feira, em Pindamonhangaba, quando voltava de um culto evangélico

iG São Paulo | - Atualizada às

Familiares e amigos participaram do velório, nesta quinta-feira (27), do ex-policial militar Florisvaldo de Oliveira, o Cabo Bruno, morto a tiros no final da noite de ontem (26) , em Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, no interior de São Paulo. A cerimônia foi realizada na Santa Casa da cidade. O sepultamento deve ocorrer apenas na sexta-feira, em Catanduva, também no interior de São Paulo. O ex-policial, acusado e condenado pela participação em mais de 50 mortes na década de 80, foi morto 34 dias após ter deixado a prisão.

O caso: Cabo Bruno é morto a tiros um mês após sair da prisão em São Paulo

LUCAS LACAZ RUIZ/AE/AE
Familiares participam de velório nesta tarde de quinta-feira na Santa Casa de Pindamonhangaba


Segundo a PM, o crime aconteceu próximo da casa da vítima, por volta das 23h45, no bairro da Chácara Galega. Florisvaldo estava com a família e voltava de um culto. Ao deixar a cadeia, ele tornou-se pastor evangélico. A Polícia Civil investiga o caso e trabalha com a hipótese de execução já que nada foi levado do ex-policial após o fato.

AE/ARQUIVO
Foto deste mês, dia 23, mostra Florisvaldo de Oliveira sendo consagrado pastor em Taubaté(SP)

"Segundo testemunhas, eram dois homens que chegaram a pé e atiraram somente contra ele (Florisvaldo). Não foi anunciado assalto. Havia um carro próximo do local, possivelmente utilizado pelos atiradores na fuga. Provavelmente foi um crime de execução", afirmou o tenente Mário Tonini, da 2ª Companhia do 5º Batalhão da PM. 

Leia também: Cabo Bruno é libertado no interior de São Paulo

Ele não chegou a ser socorrido, pois morreu no local. Ainda segundo a Polícia Civil, a perícia recolheu algumas cápsulas de pistola ponto 40, mesmo calibre utilizado pela Polícia Militar, e outras calibre 380. 

Entenda

Preso na década de 80, o Cabo Bruno foi acusado de matar ao menos 50 pessoas, quando estaria no comando de um esquadrão da morte. Ele permanceceu preso durante 27 anos e cumpriu o período final no presídio de Tremembé. Nos anos de cárcere, Florisvaldo converteu-se ao cristianismo, tornou-se pastor evangélico e casou com uma cantora gospel.

De acordo com a sentença, o ex-policial militar foi condenado a 117 anos, quatro meses e três dias de reclusão. O agente militar foi preso em 26 de setembro de 1983. Ele foi solto após o indulto pleno, determinado na quarta-feira pela 2ª Vara de Execuções de Taubaté, que declarou extintas as penas privativas de liberdade e concedeu o alvará de soltura.

Durante o período de reclusão, a Justiça registrou três fugas, sendo a última recaptura em maio de 1991. Após cumprir 20 anos de prisão ininterrupta, o acusado adquiriu o direito de indulto, afirma o documento, no dia 29 de maio de 2011. Conforme a decisão, Oliveira havia se comportado bem durante o cumprimento da pena, sem cometer faltas disciplinares.

*com AE


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