Incêndio em favela da zona sul de São Paulo atingiu 285 moradias, deixando pelo menos 1.140 pessoas desabrigadas. Quatro pessoas foram atendidas pelas equipes de socorro

Agência Brasil

O incêndio que atingiu a favela Morro do Piolho na tarde desta segunda-feira (03), em São Paulo, deixou pelo menos qutro pessoas feridas, segundo a Defesa Civil municipal. Localizada entre as ruas Cristóvão Pereira e Xavier Gouveia, perto da avenida Roberto Marinho, na zona sul da capital paulista, a favela ocupa uma área de 12 mil metros quadrados, dos quais 4,5 mil metros quadrados foram atingidos pelas chamas.

O incêndio: Fogo destrói 285 barracos e deixa 1.140 desabrigados em São Paulo

Área destruída do incêndio que atingiu a favela Morro do Piolho, na zona sul de São Paulo
AE
Área destruída do incêndio que atingiu a favela Morro do Piolho, na zona sul de São Paulo

A moradora Elen Fabricio da Costa afirmou que o incêendio foi muito rápido e que em pouco minutos sua casa já estava destruída. “Fomos os primeiros barracos a pegar fogo. Eu tinha descido para visitar a minha tia e, dez minutos depois, ouvi que estava pegando fogo. Subi para a minha casa e ela estava toda arrasada”.

“Perdi tudo. Não sobrou nada. Só estou com a roupa do corpo, minha filha e meu marido. Agora vou ter de procurar serviço e tirar meus documentos e ir atrás dos documentos da minha filha”, completou.

Moradora do Morro do Piolho desde que nasceu, Alessandra Lopes, 18 anos, contou que sua casa não chegou a ser atingida pelo incêndio. “Eu estava trabalhando e cheguei às 14h, e o fogo ainda estava pouco. Não deu tempo do povo pegar quase nada. Muita gente perdeu tudo lá em cima”, disse à Agência Brasil.

Morador deixa área incendiada de favela da zona sul de São Paulo, nesta segunda-feira
AE
Morador deixa área incendiada de favela da zona sul de São Paulo, nesta segunda-feira

A moradora Fabiana Armando estava em sua casa quando o incêndio começou. “Eu estava cuidando da minha casa e, da minha janela, dá para ver de tudo. Escutei o barulho do pessoal gritando e vi que o fogo estava vindo. Corri para ajudar os meus parentes”, relatou Fabiana, que, no momento do incêndio, estava com o filho. Seu barraco também não foi atingido.

De acordo com o subprefeito de Santo Amaro, Roberto Costa, das 595 famílias que moram na comunidade, 285 foram atingidas, o que pode resultar, pelos cálculos da Defesa Civil e da subprefeitura, em cerca de 1.140 pessoas desabrigadas. As famílias serão cadastradas por equipes da Assistência Social para receber ajuda.

“No início do incêndio [que começou por volta das 14h44], tivemos um garoto de 15 anos, que teve queimaduras de primeiro e de segundo graus na face e nas mãos. Temos também informações de uma pessoa grávida, que foi socorrida pelo policiamento. Na fase de rescaldo, tivemos uma pessoa que caiu de um barraco e fraturou uma das pernas”, relatou o coronel do Corpo de Bombeiros José Luis Borges.

Moradores deixam barracos e observam as chamas que tomaram conta da favela, nesta segunda-feira, em São Paulo
Renato S. Cerqueira/Futura Press
Moradores deixam barracos e observam as chamas que tomaram conta da favela, nesta segunda-feira, em São Paulo

O coronel da Defesa Civil Jair Paca de Lima disse que a origem provável do incêndio foi um lixão, localizado no centro da favela. “Segundo alguns moradores, a origem foi um lixão existente na favela. Alguém pode ter colocado fogo e houve propagação. Estamos vivendo um momento de baixa umidade do ar e aqui, neste local, também tem fortes ventos. Isso deve ter se propagado rapidamente”, estimou.

De acordo com o coronel, a maior dificuldade para combater o incêndio foi o acesso, já que o fogo teve início no centro da favela. “[As dificuldades foram] Principalmente de acesso, o tempo bastante seco e o vento, que estava bastante forte”, disse. Segundo ele, o incêndio foi totalmente controlado e os bombeiros trabalhavam agora no rescaldo.

Sobre a grande quantidade recente de incêndios que estão ocorrendo na capital paulista, José Luis Borges disse acreditar que o grande provocador sejam as condições meteorológicas , “com o tempo bastante seco e ventos fortes”. Em 2012, 32 incêndios foram registrados pelos Bombeiros. No ano passado, ocorreram 79 incêndios.

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* Com Agência Brasil

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