"Sigo buscando minhas joias", diz dona de cofre do Itaú um ano após roubo

Vera Lúcia Atallah, uma das 120 vítimas, diz que não supera perda de 34 joias da família e segue buscando suas peças no exterior; 10 bandidos continuam desaparecidos

Carolina Garcia - iG São Paulo |

Vítimas do maior roubo a banco de São Paulo ainda lidam com o sentimento de impunidade e com a perda de joias e peças de família de valores inestimáveis. Um ano após o roubo, dez integrantes da quadrilha, que violou 138 cofres da agência do Itaú , na avenida Paulista, continuam foragidos e o destino dos itens levados segue desconhecido. Crime ocorreu na noite do dia 27 de agosto de 2011. 

Deic/Divulgação
Joias e pedras preciosas recuperadas pelo Deic durante prisão de suspeito (setembro/2011)

“Pode ser esquecido pelo banco, mas para nós nunca será um assunto morto”, disse ao iG Vera Lúcia Atallah Salem, uma das proprietárias dos cofres arrombados. Assim como suas irmãs Cristina Atallah Gabriel e Rose May Atallah Barbosa, que também perderam broches, colares de pérolas e pedras preciosas, Vera Lúcia contou que nunca conseguiu se conformar com o furto. 

Quando viajam ao exterior, principalmente pela América do Sul e Central, regiões conhecidas como possíveis rotas do tráfico de joias, as irmãs tentam visitar antigas joalherias ou casas de penhores.

“Nunca deixamos de buscar. Sempre vejo as vitrines e olhamos as peças com detalhes. A esperança não pode morrer”, explicou Vera dizendo que, caso encontre uma de suas peças, está pronta para provar que pertence à sua família. “Quero acreditar que a polícia não desistiu e resolverá esse caso nos próximos anos. Essas joias vão aparecer.”

Bijuterias e dinheiro em assoalho

Durante visitas feitas em joalherias no exterior, Vera Lúcia afirmou que “o que importa é a busca” e não teria mais nenhum interesse em comprar joias novas. “Não sei das outras vítimas, mas eu não tenho cabeça para comprar mais. As minhas (roubadas) não são substituíveis”. Ela contou que desde o ocorrido tem usado bijuterias. “Algo que nunca pensei que fosse fazer, mas faço sem vergonha. Às vezes até saio de casa sem nenhum acessório. Decidi que não vou mais financiar os criminosos”.

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A família Atallah reconhece ter perdido 34 peças, mas recusa comentar valores. À época, somando bens de 120 vítimas, a polícia estimava que pelo menos R$ 100 milhões teriam sido levados. Porém, até hoje, não se sabe o valor total roubado pelos bandidos. 

Ao receber o comunicado do banco sobre o prejuízo, as irmãs Atallah precisaram ser amparadas. Cardíaca, Vera Lúcia contou que ficou dois dias na cama e precisou ser medicada para se acalmar. Sem hesitar, a família Atallah contou que fechou as três contas bancárias que mantinha na instituição e disse ter desistido de manter cofres em agências. Com isso, permanece a dúvida sobre o que fazer com os bens que ainda possui.

Ao iG , dias após o crime, as irmãs compartilharam a frustração de não saber qual é o local mais seguro para manter o dinheiro da família . “Até hoje não sabemos o que fazer nem em quem confiar. Às vezes, o assoalho da casa pode virar um cofre.”

O crime

A agência, localizada na esquina da avenida Paulista com a rua Frei Caneca, no centro de São Paulo, foi invadida sábado (27) de agosto à noite. Para entrar, os criminosos quebraram a porta de vidro. Dois homens entraram e dominaram um segurança. Nesse momento, outros dez desceram até o subsolo. 

Assista: Imagens de câmera de segurança ajudam polícia a identificar quadrilha

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Quadrilha é composta por 13 integrantes reconhecidos pelo Deic; dez seguem foragidos

O alarme do banco estava desligado e os ladrões desativaram o botão de pânico que poderia ter sido usado pelo vigilante para alertar a segurança.  O tempo de ação da quadrilha e a sua complexidade surpreenderam a polícia . Para o delegado  A agência foi ocupado por eles durante toda a madrugada de domingo (28). Eles ficaram aproximadamente 10 horas arrombando os cofres. Pela manhã, quando o roubo foi comunicado, policiais militares encontraram maçaricos, serras de diversos tipos, compressores, furadeiras, transformadores e cilindros de oxigênio e acetileno. 

A forma "limpa" como os criminosos agiram, sem violência excessiva, levam a polícia a apontar a  quadrilha como especializada no furto de joias . As investigações do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic) acreditava que o grupo havia contado com ajuda especializada, incluindo um arrombador de cofres. 

Deic/Divulgação
Pedreiro Marco Rodrigues foi o 1º a ser preso. Ele foi visto com carro comprado com dinheiro roubado

Atrasos e prisões

O roubo se tornou público oito dias depois, no dia 5 de setembro, e gerou polêmica dentro da Polícia Civil de São Paulo. Uma  investigação paralela do caso , iniciada por Ruy Ferraz Fontes, titular do 69° DP, de Teotônio Vilela, localizado na zona leste, causou mal estar com o Deic , com delegacia especializada em roubo a bancos.

Fontes foi afastado do cargo no dia 15 de setembro, do mesmo ano, pelo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto, em decisão conjunta com o delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Carneiro Lima, que determinaram que todas as informações que ele tivesse deveriam ser transmitidas para o Deic.  

No mesmo dia (15) à noite, o departamento anunciou a prisão do primeiro suspeito . Além de esclarecer a dinâmica da quadrilha, o Deic identificou seus 13 integrantes. Até hoje, dez seguem foragidos . Foram presos: um vigia, que teria facilitado a entrada da quadrilha, um homem que recebeu o material roubado e um funcionário do banco, que seria responsável pelo sistema de monitoramento da agência e teria desligado o alarme. 

Com os dois primeiros detidos foram encontradas pedras preciosas e alta quantia de libras esterlinas , em Embu das Artes. O inquérito foi encerrado e o processo foi encaminhado para a justiça. Segundo a assessoria do Deic, os dez foragidos seguem procurados pela Divisão de Capturas da Polícia Civil de São Paulo. 

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