‘Uns erram e outros pagam. Ela pagou com a vida’, diz marido de aluna morta

Estudante de Ciências Contábeis Angelita Pinto morreu após ter um mal súbito em sala de aula da faculdade FMU, no Itaim Bibi, em São Paulo, nesta quinta-feira

Rafael Romer - iG São Paulo | - Atualizada às

Familiares e amigos se reuniram no final da tarde desta sexta-feira, no cemitério Horto da Paz, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, para o enterro da estudante Angelita Pinto Simões Caldas, de 28 anos , que morreu em sala da aula na noite desta quinta-feira (23).

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Futura Press
Angelita Pinto Simões morreu em sala de aula da FMU, em São Paulo

Um misto de tristeza e indignação com a demora no atendimento à estudante tomou conta dos presentes no enterro, que teve início às 17h. “Uns erram e outros pagam com vida,” lamentou José Carlos dos Santos, de 44 anos, marido de Angelita.

O marido se emocionou quando lembrou da esposa, casada com ele há seis meses. “Ela era uma segunda mãe para mim. Raramente você a via triste”, disse. “Sempre vaidosa, sempre arrumada, perfumada. Tanto que olhamos ela no caixão e ela continua linda”, completou.

Também presentes ao enterro, colegas de Angelita lembraram da amiga e dos momentos de desespero do dia anterior. “A gente via que ela era bem alegre, bem extrovertida. No primeiro dia ela disse que era formada em enfermagem e que se alguém precisasse ela estaria disposta a ajudar”, contou Edina Lima Silva, que presenciou o desmaio de Angelita.

De acordo com Kelly Santana, Angelita passou mal por volta das 21h30, logo após o intervalo da aula. Os estudantes e a faculdade teriam feito contato com os bombeiros e o Samu logo em seguida. Durante a espera, funcionários da FMU chegaram a dizer para os alunos “não mexe nela que você não sabe o que é”.

Os bombeiros retornaram a chamada duas vezes para Kelly, às 21h53 e às 22h06, perguntando o estado e sintomas da Angelita. Ainda segundo as alunas, os bombeiros teriam passado informações de primeiros socorros para que os presentes pudessem auxiliar durante a espera. “Enquanto a gente tentava ajudar, as pessoas da faculdade diziam que estavam com o Samu na linha”, afirmou Kelly.

HÉLIO TORCHI/AE/AE
Universitária Angelita Pinto, de 28 anos, com o marido

Revoltados, os estudantes presentes no enterro questionaram a falta de auxílio por parte da faculdade durante o incidente. "Eu acho que ninguém deve atentar contra a vida do ser humano. Ontem a gente esperou 40 minutos por um atendimento, teve que alguém morrer pra todo mundo acordar?", questionou a estudante Samara Galvão Da Silva, amiga de Angelita que também estava presente na sala.

Funcionários teriam dito que uma pessoa da área da saúde, vinda do campus Santo Amaro da FMU, viria para o socorro, mas a pessoa não foi vista pelos alunos. "A gente viu na internet que a unidade tem um bombeiro civil, mas a gente não viu esse cara, ele não existia lá", afirmou Edina. Segundo a aluna, a ajuda chegou às 22h12.

Por telefone, Alfredo Orlando Miletti, professor que dava aula no momento, confirmou o horário de chegada dos bombeiros na sala. Questionado se sabia que a FMU não tinha ajuda imediata disponível no campus, Miletti disse que não falaria sobre o assunto nesta sexta-feira.

O marido de Angelita não culpa as equipes de socorro pela demora na chegada, mas responsabiliza a FMU por não ter prestado socorro. "Vou processar, não questiono porque o Samu ou os bombeiros demoraram, mas ali, na hora, tinha que ter alguém. Agora a gente tem que correr atrás para não acontecer mais", afirmou.

Carlos também não responsabiliza o médico de Angelita pela morte. Segundo ele, a estudante sofria de uma arritmia "leve" e passava mal constantemente com o remédio e foi orientada a parar de tomá-lo. "Ele disse para ficar sem tomar, e voltar se sentisse falta", explicou. A estudante, segundo parentes, havia um mês que não tomava medicamentos.

De acordo com o marido, a FMU não tinha oferecido qualquer tipo de assistência até o final da tarde de hoje. Ele recebeu apenas uma ligação da recepcionista, que questionou o local e horário do enterro de Angelita.

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