Bandidos arrombam carros e furtam objetos em shoppings

No início do mês, a polícia flagrou um casal de ladrões carregando um bebê como disfarce

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Quadrilhas de ladrões estão se especializando em furtar objetos de veículos em estacionamentos de shoppings da Grande São Paulo. Desde o começo do ano, ocorrências desse tipo foram registradas em pelo menos dez centros de compras em todas as regiões da cidade. Os bandidos usam todo tipo de artifício para escapar do sistema de segurança. No início do mês, a polícia flagrou um casal de ladrões carregando um bebê como disfarce.

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O casal de assaltantes levava o filho, de 1 ano e 7 meses, durante as ações. Os objetos roubados eram guardados na bolsa da criança e, depois, levados para um carro. "Só neste ano confirmamos 37 furtos praticados pelos dois. E esse número pode aumentar", afirma o delegado Arthur Frederico Moreira, titular do 66.º Distrito Policial (Aricanduva).

De acordo com o delegado, já foram presas três quadrilhas que agiam no mesmo shopping desde janeiro. Juntos, os criminosos praticaram pelo menos 73 furtos. Na maioria das vezes os bandidos usam chaves michas para abrir os carros. Mas há quadrilhas que abandonam qualquer sutileza e quebram os vidros dos veículos debaixo do nariz dos seguranças. No mês passado, cinco carros estacionados no Shopping Ibirapuera foram arrombados dessa maneira. Em nota, a administração do centro de compras informou que colaborava com as investigações.

Os criminosos são rápidos. A universitária Bruna Buzato, de 23 anos, não passou meia hora estacionada no Shopping Aricanduva, em julho. Quando voltou, não achou mais estepe, bolsa, dinheiro, DVD. Um prejuízo que ela estima em R$ 2 mil. "Não me ressarciram. Eu ligo e ficam só me passando de um setor para o outro, sem resolver", afirma. Procurado, o Shopping Aricanduva não se manifestou.

Responsabilidade

Para o Procon, deve-se sempre ressarcir os clientes. Já os shoppings dizem avaliar caso a caso. Em sites de defesa do consumidor há reclamações de furtos contra pelo menos dez shoppings. Na lista estão Morumbi, Bourbon, West Plaza, Center Norte, Lar Center, Butantã, Eldorado, Butantã e Anália Franco.

O diretor de relações institucionais da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Luís Augusto Ildefonso da Silva, afirma que os centros de compras estão cientes do problema e trabalham para coibi-lo. "A segurança é uma preocupação bastante grande. Até porque esse é um dos predicados para comprar no shopping", afirma.

De acordo com ele, a saída adotada tem sido a contratação de seguranças em motocicletas. O West Plaza informou que "preza pela segurança e tem uma equipe treinada e qualificada". O Eldorado afirma que tem um sistema de segurança de "última geração" e vigilantes fazendo rondas, além de analisar caso a caso para ressarcir os clientes. O Shopping Butantã mantém o mesmo sistema, além de câmeras de monitoramento nas cancelas de acesso ao estacionamento. Os demais centro de compras não responderam.

Baixa a guarda

O delegado-geral de São Paulo, Marcos Carneiro Lima, afirma que a população baixa a guarda e toma menos cuidados por achar que está em segurança dentro dos shoppings. "Se estaciona um carro na rua, a pessoa coloca um pacote no porta-malas, por exemplo. Em um local fechado, onde tem câmera, pode baixar a guarda, pensando que o ladrão não vai ter ousadia de praticar o crime."

Às vezes, a sensação de segurança é tão grande que a população nem percebe que foi vítima do crime. Caso dos comerciantes Leonel e Tânia Sardinha, ambos de 27 anos, que relataram só posteriormente o furto de um estepe. "Os criminosos deixaram outros objetos, como um tablet, e levaram apenas o pneu. Fizeram para ela não descobrir na hora", afirma Leonel. O casal pretendia processar o shopping. No entanto, depois que a reportagem contatou a Assessoria de Imprensa do lugar, o centro de compras resolver ressarcir a cliente.

Os estepes estão entre os alvos preferidos dos criminosos. Carneiro afirma que eles são produtos de alta demanda no mercado negro, ou seja, são facilmente vendidos. "O cidadão comum vê a possibilidade de pagar R$ 200 em uma coisa que poderia pagar R$ 1 mil. Esse estímulo movimenta essa cadeia criminosa."

Especialista em segurança pública, o coronel da reserva José Vicente da Silva afirma que, em um primeiro momento, pode haver falhas na segurança dos shoppings onde há grande incidência de furtos, e eles precisam investir em postos de observação, iluminação, câmeras e motocicletas fazendo rondas.

Segundo o coronel, os órgãos de segurança pública também têm responsabilidade, embora os centros de compras sejam particulares. "Nas saídas, a PM pode fazer ações esporádicas de fiscalização de veículos, com vistas ao transporte de mercadoria suspeita, como estepe, por exemplo. Já a Polícia Civil trataria de prender os ladrões por meio de informantes."

O especialista em segurança pública diz que os próprios frequentadores podem colaborar. "Na medida do possível, vale a pena evitar colocar o carro em locais fora de foco dos vigias. É importante deixar perto dos postos de observação e também das saídas, por onde passam mais funcionários do shopping." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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