Sem alarde, Polícia Militar desmobiliza operação na Cracolândia

Mesmo antes da decisão judicial, que limitou a ação da PM no centro, efetivo de agentes militares foi reduzido; uso e comercialização da droga ainda estão presentes

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Frâncio de Holanda
Usuário fuma crack na rua Helvétia, na Cracolândia

Sem anúncio oficial, e antes de tomar conhecimento da decisão judicial , a Polícia Militar reduziu o efetivo deslocado para reforçar a segurança e coibir o tráfico de drogas na cracolândia. Iniciada em 3 de janeiro, com cem PMs, a ação foi ampliada depois de uma semana. Passou a ter 287 policiais, mas hoje, de acordo com informações da corporação, tem apenas 70 homens nas ruas - a redução é de 75%.

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A reportagem circulou na terça-feira pelas principais vias da cracolândia. Entre 12h e 14h, viu somente dez policiais na região, em quatro bases fixas, e nenhum agente social. Nesse mesmo horário, cerca de cem viciados tomavam a rua Dino Bueno, entre a rua Helvétia e a alameda Glete. Parte deles fumava crack a cerca de 200 metros de uma das bases da PM.

Outros na região comercializavam a droga, bem na frente de uma unidade de rede de restaurantes Bom Prato, do governo estadual. Em outro ponto conhecido de consumo, a rua Apa, foi flagrada mais uma concentração de dependentes consumindo drogas. Policiais militares marcavam presença na rua vizinha, sem abordar usuários nem possíveis traficantes.

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Quase sete meses após o início da operação, no entanto, a sensação de segurança é maior na região. Apesar da alta concentração de usuários na rua Dino Bueno, por exemplo, ainda é possível atravessá-la de carro ou mesmo a pé.

No entorno, as vias seguem mais limpas - desde janeiro, funcionários da Prefeitura lavam calçadas para impedir a fixação de dependentes na região. Ontem, um caminhão fazia a limpeza nas proximidades da Sala São Paulo, na Luz. Segundo o balanço oficial, 2.250 toneladas de lixo já foram recolhidas.

Nos últimos meses, a maioria dos viciados passou a se concentrar na rua dos Gusmões, próximo da esquina com a alameda Barão de Limeira. À noite, centenas deles fecham as ruas, fazendo com que quem passa de carro tenha de dar meia-volta. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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