Família de publicitário morto por policiais faz passeata contra violência

Caminhada no Parque do Ibirapuera organizada pelo movimento Quero Mais, Quero Paz reivindicou uma Polícia Militar mais bem preparada

iG São Paulo | - Atualizada às

A família do publicitário Ricardo Prudente Aquino, morto por policiais a tiros , organizou na manhã deste domingo uma caminhada no Parque do Ibirapuera em São Paulo, pela valorização da vida e contra a violência da Polícia Militar (PM). A manifestação pacífica reuniu 200 pessoas.

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A caminhada faz parte da campanha "Quero mais, quero paz", organizada pelos parentes de Ricardo. Vestidos de branco e com camisetas estampadas com o rosto dao publicitário, parentes e amigos de vítimas de violência policial reivindicaram uma PM mais bem preparada na capital. Eles entoaram a canção Eu Quero Apenas , do Roberto Carlos

"Vim aqui me juntar à mãe do Ricardo e com outras mães, para que isso não aconteça mais", disse Simone Fernandes Bispo, 38 anos. Ela é mãe do adolescente Vitor Ferraz, 14 anos, que foi morto por policiais militares no dia 13 de abril durante outra abordagem com final trágico.

O grupo caminhou até a praça da Paz, dentro do parque. A esposa de Ricardo, Lélia Pace de Aquino, 35 anos, portando um megafone leu um manifesto, escrito pela família.

"O Ricardo foi morto sem chances de defesa. Menos de 24 horas depois, outro rapaz, Bruno Vicente de Gouveia, de 19 anos (foi baleado e morto por PMs dentro de um carro em Santos, na Baixada Santista), também foi morto. Quantos Ricardos e quantos Brunos terão que morrer para que se mude essa situação?", questionou.

A mãe do publicitário, a empresária Carmen Sacramento também leu um trecho do manifesto. "Que os maus policiais sejam exonerados e não remanejados para áreas administrativas".

Ricardo Prudente, 39 anos, foi morto a tiros por policiais na avenida das Corujas, no Alto de Pinheiros, zona oeste da capital paulista. De acordo com nota oficial divulgada pela PM, o motorista fugiu de uma tentativa de abordagem por volta das 23h.

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Perseguido, bateu em outra viatura que tentou interceptá-lo e foi baleado depois que os policiais "visualizaram Ricardo com um objeto na mão, pensando se tratar de uma arma". O objeto em questão era um celular.

Socorrido no Hospital das Clínicas, o publicitário não resistiu aos ferimentos. Ele portava uma pequena quantidade de maconha, mas não foram encontradas armas em seu veículo.

Neste domingo, o Instituto Sou da Paz divulgou um estudo que indica que em dez anos, entre 2001 e 2010, 93% das pessoas que morreram em supostos tiroteios com a PM em São Paulo moravam na periferia. O distrito com mais casos é Sapopemba, na zona leste, com 52 ocorrências.

Estudo: Nove em cada dez mortes em confrontos com a PM são na periferia

Negros e pardos foram os que mais morreram nos últimos dez anos: 54% do total de vítimas na cidade, enquanto no Censo de 2010 apenas 37% da população de São Paulo se declara dessas raças.

Quase todas as vítimas (99,6%) são homens. Em dez anos, só cinco mulheres morreram em supostos confrontos. Segundo Lígia Rechenberg, coordenadora de análise de dados do Instituto Sou da Paz, a idade dos mortos impressiona: 60% têm entre 15 e 24 anos.

Com Agência Estado

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