Desabrigados pelo incêndio em favela de São Paulo são encaminhados a abrigo

"Saímos só com a roupa do corpo. Não temos documentos nem dinheiro", diz moradora; Defesa Civil distribuirá cestas básicas, colchões e itens de higiene pessoal

Agência Brasil |

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Cerca de 400 pessoas desabrigadas em razão do incêndio ocorrido na manhã desta sexta-feira (27) na Favela Humaitá, zona oeste da capital paulista, serão encaminhadas ao abrigo da prefeitura no bairro da Barra Funda, informou a Defesa Civil do município. Além disso, elas estão sendo cadastradas para inclusão em programas habitacionais do município.

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AE
Incêndio atinge barracos no Jardim Humaitá, zona oeste de São Paulo

“A principal dificuldade é a distância, já que muitas famílias preferem ficar na região onde moram, porque tem a escola, o trabalho”, explicou o coordenador da Defesa Civil, Jair Paca de Lima. Segundo ele, os desabrigados vão receber cesta básica, colchões e itens de higiene pessoal.

Durante parte da manhã, o Corpo de Bombeiros fez o trabalho de rescaldo no local. Segundo o major Sílvio Antão Fernandes, responsável pela operação, não há informações de feridos ou desaparecidos. Ele disse ainda que as causas do acidente serão apuradas.

A cozinheira Dalva Santos, de 33 anos, conta que foi uma das primeiras a perceber o fogo. “Acordei com a fumaça e gritei para alertar os vizinhos. O fogo já estava alto. Foi uma correria”, relata. Ela estava em casa com o marido e o filho de 4 anos. Assim como a maioria dos moradores, Dalva perdeu tudo que tinha e não sabe por onde recomeçar. “Saímos só com a roupa do corpo. Não temos documentos nem dinheiro. Vamos ter que reconstruir tudo do zero.”

Segundo o major Sílvio Antão Fernandes, a área atingida corresponde a 1,2 mil metros quadrados, dos 4 mil metros quadrados de ocupação total da comunidade. Ele explica que a proporção do incêndio, que começou cerca de 4 horas da manhã, foi agravada pelo tempo seco e por muitas casas serem de madeira. Foram enviadas 19 viaturas para local. O fogo foi controlado por volta das 5h30, de acordo com o major.

Entre as causas possíveis do incêndio, ele cita uma sobrecarga elétrica ou uma faísca produzida por algum morador ao usar a cozinha durante a madrugada. O responsável pela operação destaca, no entanto, que o laudo oficial será dado pela perícia. “É cedo para elaborar uma causa. Há muitas informações desencontradas”, destacou.

Durante a manhã de hoje, muitos moradores reclamavam da falta de assistência relacionada à alimentação. O coordenador da Defesa Civil reconheceu o atraso dos kits de café da manhã.

Hilda Santos, de 59 anos, também reclamava de assistência médica, tendo em vista que os seus medicamentos para o diabetes foram queimados no incêndio. “Preciso tomar insulina. Estou preocupada”, relatou. Ela, que estava sozinha em casa no início do fogo, também perdeu todos os pertences. “Se demorasse para sair, morreria queimada. Não deu para salvar nada. É começar tudo de novo, mas ainda bem que tenho a minha vida”, contou. O coordenador da Defesa Civil disse que casos como o de Hilda serão encaminhados a farmácias populares.

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