Com a 'mesma chuva' de 5 anos, memorial para vítimas de voo da TAM é inaugurado

Praça 17 de julho ficou pronta cinco anos após o acidente.  "Para nós é muito importante, é uma forma de elaborar o luto, lidar com a dor", diz familiar de uma das 199 vítimas fatais

Alexandre Dall´Ara - iG São Paulo | - Atualizada às

Cinco anos após o acidente que matou os 199 passageiros do voo JJ3054 da TAM, de Porto Alegre a São Paulo, foi inaugurada a praça Memorial 17 de julho. Segundo o prefeito Gilberto Kassab, o local foi construído para dar conforto às famílias das vítimas, que morreram “neste mesmo horário, também numa terça-feira, com essa mesma chuva”.

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Familiares de vítimas carregam estrelas com os nomes dos que morreram naquela noite chuvosa de 2007

O memorial fica no local do acidente. Seguindo o pedido das famílias das vítimas, é formado por um totem, visível da avenida Washington Luís, por um conjunto de 199 lâmpadas instaladas no chão da praça e pelos nomes de todos os passageiros envolvidos no acidente. A praça tem ainda bancos iluminados por LED e uma fonte onde serão instaladas as placas definitivas, em metal, com os nomes. Para a inauguração foram colocados adesivos provisórios.

Durante a cerimônia, foi celebrada missa pelo Frade Dom Fernando Figueiredo. O evento também contou com apresentação de 30 crianças do coral Grupo Bacarelli e homenagem aos envolvidos na construção, como a subprefeitura de Santo Amaro e representante dos pedreiros.

Convidado a discursar, Kassab lembrou a responsabilidade das autoridades federais no desastre. “Essa é uma maneira de sensibilizar as autoridades responsáveis pela segurança [aérea]”. Para jornalistas, o prefeito disse que não cabe à prefeitura avaliar se as medidas de proteção aos passageiros são adequadas. “Procuramos contribuir oferecendo uma área que seria desapropriada pela prefeitura [em Jabaquara] caso as autoridades entendam que possa ser construídos o prolongamento da pista”

As obras agradaram os familiares. "Pará nós é muito importante, é uma forma de elaborar o luto, lidar com a dor", explica Zeoni Soares Warmling, que perdeu a filha na tragédia. Ela lembra da primeira vez que entrou no local, seis meses depois do acidente, ainda com a terra suja com o carvão do incêndio. "Aquilo me enauseou, de uma forma visceral”, disse, emocionada.

O clima geral entre os parentes das vítimas era de satisfação e emoção pela lembrança dos 199 mortos. Mas o evento também foi usado para lembrar uma das bandeiras da Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Voo TAM JJ3054 (Afavitam), a condenação dos acusados no processo judicial. "A gente sabe que houve várias transgressões, não pode ficar impune. Assim como o acidente se fez presente a nível Brasil, nós queremos que a Justiça se faça", explicou Archelau Xavier, vice-presidente da Afavitam.

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