Em depoimento, piloto diz que não sabia de manobra feita por paraquedistas em SP

Com o movimento, o instrutor descia a uma velocidade maior do que o esperado; polícia de Boituva periciou o avião nesta terça-feira

iG São Paulo | - Atualizada às

Uma manobra que aumenta a velocidade dos paraquedistas em queda livre pode ter sido a razão do acidente que matou Alex Adelman, de 39 anos , na segunda-feira (9), segundo depoimento do piloto. O comandante, que pilotava o avião que atingiu e matou o paraquedista, foi ouvido nesta segunda-feira pela Polícia Civil de Boituva.

Segundo o agente do serviço de investigação da delegacia de Boituva, Américo Meneguetti, a perícia realizada nesta terça-feira identificou os danos causados na aeronave pelo choque com os paraquedistas. O Corpo de Bombeiros de Boituva confirmou que a aeronave que atingiu Adelman era a mesma que decolara com os paraquedistas. A polícia ainda recolheu equipamentos usados pelas vítimas e ainda vai periciar os capacetes usados durante o salto. A conclusão da perícia deve sair em 10 dias, afirma Meneguetti. Veja abaixo as imagens do avião feitas durante a perícia:


No depoimento do piloto, ele explica que os três paraquedistas realizaram uma manobra diferente da habitual sem informá-lo. O movimento teria feito com que os esportistas descessem a uma velocidade de 270 km/h, quando o esperado seria 200 km/h.

Meneguetti conta que o piloto afirmou não ter percebido que atingiu Adelman durante o voo. Após o choque, a aeronave ficou danificada e não conseguia fazer manobras para dos lados. Após do pouso, o comandante foi informado de que o choque tinha sido contra os paraquedistas e associou o acidente à manobra.

O acidente

O instrutor de paraquedismo Alex Adelman, morreu na segunda (9) depois de ser atingido no ar pelo avião de que saltara , no Centro Nacional de Paraquedismo, em Boituva, a 116 quilômetros de São Paulo. Dois outros paraquedistas que também haviam saltado do avião, Vanderson Campos Andrade e Conrado Alvares, foram atingidos pelo companheiro, projetado pelo choque com o avião, e ficaram feridos. Segundo a Polícia Civil de Boituva, ainda não é possível afirmar se o acidente foi causado por imperícia do piloto ou dos paraquedistas.

Alex portava uma câmera e fazia a filmagem da queda livre dos companheiros. Ele teria sido atingido primeiro e foi lançado contra os amigos. Com o choque o instrutor ficou inconsciente e o paraquedas, que dispõe de um dispositivo de segurança, abriu automaticamente. A manobra automática reduziu o impacto do corpo no solo. O instrutor chegou a ser socorrido ainda com vida e levado para o pronto socorro do Hospital São Luiz, na própria cidade, mas não resistiu.

Os outros dois paraquedistas conseguiram acionar os equipamentos e chegaram ao solo, mas tinham fraturas nos membros inferiores decorrentes do choque. Eles permaneciam internados no mesmo hospital na noite desta segunda, mas o estado de saúde de ambos não era considerado grave.

Alex era paraquedista desde 1994 e, em março deste ano, quebrou o recorde brasileiro em maior formação de queda livre vertical, na cidade de Piracicaba. Ele era especializado em filmagens no ar.

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