Homenagem aos heróis de 32, obelisco do Ibirapuera deve reabrir só em dois anos

Marco da Revolução de 32 está fechado ao público há 10 anos. Projeto de reforma deve trazer ao obelisco a tecnologia usada nos museus da Língua Portuguesa e do Futebol

Daniel Torres - iG São Paulo | - Atualizada às

Assim como ocorre todos os anos, o Monumento do Mausoléu do Soldado Constitucionalista de 1932, mais conhecido por Obelisco do Iburapuera, é o palco das homenagens aos soldados e paulistas que lutaram pela Revolução Constitucionalista há 80 anos. Mas assim como ocorre desde 2002, o monumento fechará as portas após a cerimônia .

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Além da cerimônia tradicional, os 80 anos da revolta será marcado por mais uma tentativa de reabertura do monumento. Nesta segunda-feira será assinado o contrato para a elaboração do projeto que pretende transformar o espaço em um moderno memorial da revolução paulista. Como modelo para o projeto, estão os museus da Língua Portuguesa e do Futebol, que usam elementos tecnológicos e interativos para atrair o público.  Faça um passeio virtual pelo atual mausoléu do obelisco no vídeo abaixo:

Após a assinatura do contrato, o escritório Helena Ayoub Silva, Cleber Bonetti Machado Arquitetos Associados Ltda. terá aproximadamente 180 dias para apresentar o projeto, que ainda precisará passar pela aprovação de diversos órgãos municipais, estaduais e federais de conservação. O projeto para o novo museu vai custar aos cofres públicos R$ 286 mil.

Pela previsão da Polícia Militar (PM) de São Paulo, que é quem administra e faz a segurança do monumento, em 9 de julho de 2013 poderá ser anunciado o início da obra, que demoraria mais um ano para ficar pronta. Assim, o novo Monumento do Mausoléu do Soldado Constitucionalista de 1932 abriria as portas, todos os dias, após o feriado de 2014.

Com previsão inicial de custo de R$ 8 milhões, o reformulação do monumento seria uma homenagem a mais aos paulistas que no início da década de 30 pegaram em armas para lutar contra o governo de Getúlio Vargas, que revogou a Constituição de 1891 após tomar o poder na Revolução de 1930 .

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Embaixo do obelisco, está o Monumento do Mausoléu do Soldado Constitucionalista de 1932

Reformas

Essa não é a primeira vez que o monumento passa por uma operação de tentativa de reabertura. De 2002 a 2005, a reforma do obelisco ficou travada por uma briga judicial que envolvia a família do artista Galileo Emendabile - criador do monumento -, a Sociedade Veteranos de 32 – que administrava o obelisco na época -, a prefeitura, o governo do Estado e a iniciativa privada. Quando foi fechado, a previsão para a reforma era de aproximadamente R$ 2,5 milhões.

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Marcas de infiltação entre os blocos de mármore das paredes do mausoléu vem desde o teto

Em 2006, a Prefeitura de São Paulo e o governo do Estado fizeram uma convênio que definiu que a prefeitura seria a responsável pelos serviços de projeto paisagístico, ajardinamento, limpeza e segurança na praça, inclusive na área pertencente ao Estado. Já governo estadual ficou responsável pelas obras de recuperação e também passou a gerir, administrar, manter e conservar o monumento. Assim, a Polícia Militar realizaria a guarda permanente e o policiamento ostensivo no local. Uma nova previsão de gastos foi feita e a reforma ficaria em R$ 5 milhões.

Em 2008, o governo do Estado gastou R$ 282 mil em reformas nas instalações elétricas e R$ 625 mil em impermeabilização, drenagem e captação de águas fluviais. Foram obras emergenciais que não resolveram o problema a ponto de reabrir o espaço ao público. Desde que foi fechado, foram R$ 1,1 milhão investido, mas só os policiais que fazem a segurança do local frequentam o monumento.

O obelisco

O Monumento do Mausoléu do Soldado Constitucionalista de 1932 é um projeto do escultor italiano Galileo Emendabili, que chegou ao Brasil em 1923 fugindo do regime fascista. Em mármore travertino, o monumento tem 72 metros de altura e foi inaugurado oficialmente em 9 de julho de 1955, um ano após a inauguração do Parque do Ibirapuera. Sua construção começou em 1947 e foi concluída apenas em 1970.

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Entrada do mausoléu e a inscrição em homenagem aos combatente mortos - Viveram pouco para morrer bem, morreram jovens para viver sempre

Tombado pelos conselhos estadual e municipal de preservação do patrimônio histórico, o mausoléu que existe dentro do obelisco guarda os restos mortais dos quatro estudantes mortos durante um protesto contra o governo Vargas - Mário Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade -, cujas iniciais formam a sigla MMDC, o grande símbolo da revolução. A cripta existente no monumento também mantém as cinzas de cerca de 800 ex-combatentes.

O monumento é formado pelo obelisco e pela cripta e foi concebido baseado em relações numéricas, que levam sempre a algum número da data da revolução: 9/7/1932. O obelisco tem 81 metros de altura, cuja raiz quadrada é 9. Também tem 9 metros a base maior do trapézio, no chão, para quem olha o monumento de frente. Na base menor, em cima, tem 7 metros. A largura da cripta, embaixo, tem 32 metros. Quem olhar de frente o perfil da planta, teria as dimensões 32 - 9 - 7, que lembram o ano, o dia e o mês do início do conflito. Para entrar no monumento é preciso percorrer 9 degraus. A partir do acesso, existem três grupos de três arcos cada, somando 9 arcos.

Do lado de fora, o obelisco é a imagem de uma espada, com quatro faces, voltadas para cada um dos pontos cardeais da cidade, fincada numa praça em formato de coração. Exatamente embaixo da base do obelisco, existe uma escultura em mármore que representa o Herói Jacente.

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Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo (M.M.D.C.) foram mortos durante uma manifestação em São Paulo

“Enquanto o obelisco é uma espada que atravessa o coração da mãe terra paulista e fere de morte esse coração, representado pelos filhos que caíram pela revolução, por dentro, ele é um canhão. De onde está o herói, olhando para a base, se vê um enorme projétil de canhão”, explica o advogado Paulo Emendabili Souza Barros de Carvalhos, neto de Galileo Emendabile. Segundo o advogado, esse seria um ‘canhão cívico’. “O herói está circundado pelo exército constitucionalista que não está morto, mas repousa. Se houver uma violação à constituição brasileira, se houver tirania novamente, o soldado levanta, chama as fileiras do exército constitucionalista e aciona novamente o canhão. Essa é a simbologia.”

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