Grupo de elite paulista Rota matou 45 pessoas em confrontos em 2012 contra 31 em 2011. Segundo polícia, proporção caiu se considerado o número maior de presos

A Polícia Militar de São Paulo contestou nesta quinta-feira o aumento de 45% no número de mortes causadas por policiais do grupo de elite paulista, Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA), divulgado em relatório da Corregedoria da PM. De janeiro a maio de 2011, a Rota matou 31 pessoas. No mesmo período de 2012, 45 civis morreram.

Em nota, a PM explica que o crescimento de mortes em resistências “se deveu ao aumento de operações em que houve confronto provocado pela reação de criminosos”. A Polícia ressaltou ainda que cresceram os números de prisões em flagrante, apreensão de menores e de ocorrências de tráfico de entorpecentes. De acordo o cálculo divulgado pela PM, a Rota matou um em cada 17 criminosos presos. No ano passado, a proporção foi de um para 15, o que indica uma redução proporcional de mortes.

No fim de maio, policiais da Rota foram presos após operação que matou seis suspeitos e prendeu três no interior de um estacionamento, na região da Penha, na zona leste da capital paulista. O Comandante do grupo, Tenente Coronel Salvador Modesto Madia, afirmou em coletiva na ocasião que a operação era justa, mas que abusos deveriam ser punidos. Policiais são acusados de executar um dos seis mortos.

Leia mais:  Rota invade reunião do PCC e mata seis durante tiroteio em São Paulo

Para o cientista político Guaracy Mingardi, os dados revelados na quinta-feira pelo jornal Folha de S. Paulo demonstram que os policiais têm recebido do comando “uma ideia errada, de que tem que soltar a tropa”. “O comando político e a Secretaria de Segurança (SSP) têm dado os sinais errados. Ficam nomeando pessoas que têm histórico, isso transmite ideia de impunidade”, diz o pesquisador do Centro de Pesquisa Jurídica Aplicada da Direito da Fundação Getúlio Vargas.

O tenente-coronel Salvador Modesto Madia foi nomeado comandante da Rota em novembro passado. Madia participou da operação no Carandiru em que foram mortos 111 presos em 1992 e ainda responde processo.

Mingardi acredita que a nomeação pode ter efeito na ação dos policiais. “Você não pode punir alguém que não foi julgado ainda, mas isso [a nomeação] transmite uma ideia errada porque é um cargo de comando”.

A major da reserva e doutora em ciência política pela USP, Tânia Pinc, concorda. “Quando você tem um governo que diz para botar a Rota na rua, como já tivemos, isso estimula uma ação mais violenta dos policiais”, explica. Ela não acredita que haja uma cultura policial em favor de matar, mas conta que a decisão de atirar é tomada em situações de alto risco e estresse. Nesses momentos, Tânia afirma que a sensação de impunidade pode ter resultado na decisão do policial.

Segundo a pesquisadora, é fundamental criar uma cultura de respeito nas abordagens policiais. Ela diz que isso tem sido feito na Polícia paulista. Mingardi afirma que em grupos especiais, esse trabalho é ainda mais necessário. “Uma tropa de elite tem que ser muito bem treinada e controlada”, diz o cientista político, que cita o policiamento comunitário como exemplo de polícia menos violenta.

No fim do ano passado, a Ouvidoria da PM também manifestou preocupação com o número de mortos em confronto com a Rota. Na ocasião, o ouvidor Liuz Gonzaga Dantas declarou que a Ouvidoria estava atenta ao desempenho da Rota. “Nos últimos anos, teve uma crescente no número de resistências. É preciso propor ações de controle”.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.