Livro ensina a viver em São Paulo sem carro

"Como viver em São Paulo sem carro" traz histórias de 12 personagens da cena paulistana que agora andam pela cidade a pé, de bicicleta ou transporte público

iG São Paulo |

Claudio Edinger
Ex-jogador Raí abandonou a direção em 2008

“Eu sou mais feliz desde que parei de guiar. Sou mais leve, não tenho de me preocupar onde parar o carro, não penso em multas, na hora do congestionamento, falo no celular, ouço música.” Raí, ex-jogador de futebol, abandonou “a direção” em 2008 e só anda por São Paulo a pé, de bicicleta ou de táxi (dependendo do trajeto). Suas experiências e de outros 11 personagens – como Maria Adelaide Amaral, Tadeu Jungle e Rita Lobo - da cena paulistana são relatadas no livro “Como viver em São Paulo sem carro”, idealizado pelo empresário Alexandre Lafer Frankel e escrito pelo jornalista Leão Serva. As fotografias são de Claudio Edinger e as ilustrações, de Eva Uviedo.

O lançamento será no dia 5 de julho, às 20h, no restaurante Spot. Com 81 páginas, o livro apresenta trajetos favoritos e dicas de lazer, cultura, gastronomia e de caminhos para quem se aventurar no mundo “livre de veículos”. “Tem riscos ao andar de bicicleta. Tomo muitos cuidados, o tempo todo. É preciso planejar os caminhos”, sugere o ex-jogador.

Tadeu Jungle, cineasta e videoartista, gosta de fazer tudo a pé. Ele mora nos Jardins. "Morar em um bairro mais central implica ter menos espaço em casa. Assim, tenho uma cozinha menor, mas
não me importo: saio frequentemente para jantar fora, tenho ótimos restaurantes perto de casa." Ele revela que não conseguiu abandonar totalmente o carro, mas reduziu "a necessidade".

Divulgação
Roteiro a pé sugerido por Tadeu Jungle no bairro Jardins, onde mora



Criadora do site Panelinha e apresentadora do Cozinha Prática (GNT), Rita Lobo procurou conciliar casa, trabalho e escola dos filhos tudo no mesmo bairro. "Quando vou de uma região da
cidade para outra, ainda uso carro ou táxi. Mas procurei organizar as coisas para que toda minha estrutura básica de vida fique dentro do bairro que escolhi para morar, os Jardins." A dica é que o pedestre tem de ter equipamentos apropriados, como uma sandália confortável.

Liberte-se do vício

Claudio Edinger
Alexandre Frankel decidiu não renovar sua carteira de habilitação

Alexandre Frankel diz que a ideia de lançar "Como viver em São Paulo sem carro" foi para “mostrar às pessoas uma outra possibilidade”. “Andar a pé e de transporte público é cool. O chique é poder chegar rápido e não ficar horas no trânsito. Carro é um atraso de vida. Não é pecado usá-lo, mas não se pode ser dependente dele. A pessoa prejudica sua vida sem perceber que pode sair fora desse vício”, diz.

A empresa de Frankel, a Vitacon, é uma incorporadora que desenvolve projetos fundamentados em novas opções de mobilidade urbana (como o aluguel de carros e bicicletas para os moradores), em terrenos próximos a estações do metrô, procurando aproximar as pessoas de seus locais de trabalho.

O empresário acredita que este é o caminho para uma cidade com menos trânsito, menos estresse e mais horas livres para outras atividades. “O que dita regra nos nossos projetos é a mobilidade. Onde há muitos prédios comerciais colocamos residenciais e vice-versa. A lei de zoneamento de São Paulo e de grandes cidades brasileiras é um horror. As pessoas gastam de 4 a 5 horas por dia para sair da periferia e ir para o centro trabalhar.”

O empresário abandonou o carro há alguns anos e decidiu não renovar a carteira de habilitação. Levou a sede de sua empresa para o bairro onde mora e faz tudo o que pode a pé. Os filhos e a mulher também. Ele defende o modelo da cidade compacta, concebida exatamente como o lugar da diversidade social e econômica, de bairros que misturam classes sociais e atividades, de forma que todos possam ficar a curtas distâncias do trabalho. “É possível fazer esta mudança. Viver perto com qualidade.”

O livro traz ainda dados inéditos levantados em uma pesquisa de opinião pública realizada pelo instituto Ipespe (Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas) sobre como os moradores se relacionam com a questão da mobilidade urbana. Segundo a pesquisa, 65% dos paulistanos estariam propensos a mudar suas residências para locais perto do trabalho, desde que mantido o mesmo padrão de vida, para fugir do trânsito. O estudo também mostra que para a mesma porcentagem da população (65%), o trânsito é considerado o pior problema da cidade, à frente da poluição. “Queremos que o livro gere movimento, que as pessoas se movimentem e mudem”, diz Frankel.

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