Sem aumentar policiamento, São Paulo lança campanha para conter arrastões

Itaim Bibi é o primeiro bairro a aderir ao programa vizinhança solidária; segundo capitão da PM, ação vai usar os '11 milhões de pares de olhos' dos paulistanos para ajudar a polícia

Alexandre Dall´Ara - iG São Paulo | - Atualizada às

O programa vizinhança solidária foi lançado nesta terça-feira pela Polícia Militar no bairro do Itaim Bibi, na capital paulista. Implantado como resposta a onda de arrastões contra restaurantes e condomínios , o programa prevê apenas articulação entre população e polícia para melhorar a segurança na região. Segundo a polícia, não haverá aumento de efetivo no bairro. A reunião teve a participação de moradores, proprietários de estabelecimentos da região e representante da Associação Amigos do Itaim.

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Divulgação
O governador Geraldo Alckmin durante anúncio do programa vizinhança solidária na última semana

Segundo o coordenador operacional da PM responsável pelo programa vizinhança solidária no Estado, capitão Telmo, a adesão é voluntária. "A associação do Itaim foi a primeira a aderir e estamos abertos a novas adesões. Não temos um cronograma de expansão, depende da comunidade". As associações de bairro interessadas devem procurar os conselhos de segurança responsáveis.

Telmo explica ainda que o programa não é novo. “Já implantamos com sucesso em Santo André. O programa é um facilitador da atuação do policiamento comunitário”. Para o comandante do policiamento da capital, coronel Charles, a população complementa o trabalho da polícia. "Temos 23 mil homens, mas 11 milhões de pares de olhos podem ajudar a polícia a ajudar o cidadão", explica. 

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O programa inclui um cadastramento dos moradores e proprietários interessados. A polícia realiza vistoria nos imóveis e elabora um laudo de vulnerabilidade com sugestão para melhorias de segurança, além de dar palestras com dicas para a vigilância das ruas e estabelecimentos.

Luiz Roberto Ferreira é proprietário de um restaurante da região. Dono do Serafina, que deve reabrir em agosto, ele diz ter participado da reunião no Palácio dos Bandeirantes , em que o governador Geraldo Alckmin anunciou medidas para combater os recentes casos de arrastões na capital. “As medidas são boas, mas a sociedade tem que colaborar, vamos ver se as pessoas vão participar. Eu consegui levar bastante gente lá para a reunião, as pessoas parecem interessadas”. Segundo ele, o movimento nos estabelecimentos da região foram afetados pela onda de assalto. “O movimento no Itaim Bibi tem caído. Isso é um problema seríssimo”, diz.

Luiza Maziero Fernandes, moradora de um condomínio já cadastrado no programa, conta que foram adotadas as sugestões da PM. “Instalamos holofotes e os porteiros foram treinados por policiais. Eles têm rádios e se comunicam de hora em hora. Se acontecer algo errado ou alguém não responder, já ficam atentos. Em casos mais sérios chamam a polícia”.

Ela explica que 26 prédios do Itaim Bibi já atuam em parceria com a polícia da região desde 2009. “O prédio de uma colega sofreu um arrastão e ela ficou preocupada com isso, aí começou a articular”, explica. Os prédios, próximos à rua Itacema, foram divididos em três grupos. "Nossos funcionários já receberam quatro treinamentos da PM", garante a moradora.

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