"Prisão de Elize é um absurdo", diz advogado após pedir liberdade de cliente

Segundo o responsável pela defesa, acusada colaborou com as investigações e não representa risco de fuga; produção de provas já foi encerrada

iG São Paulo |

AE
Elize Matsunaga, mulher do executivo assassinado

O advogado de defesa de Elize Matsunaga entrou com pedido de revogação da prisão provisória da acusada de matar e esquartejar Marcos Kitano Matsunaga, ex-diretor da Yoki Alimentos. Segundo Luciano Santoro, responsável pela defesa, não há prazo para que a Justiça de Cotia decida sobre a liberação. “Acredito que ele [o juiz] deve decidir logo”.

Inquérito: Polícia aguarda conclusão dos laudos periciais para encerrar investigação

A prisão provisória, que expira em 24 de junho, serve para garantir que a investigada não atrapalhe o trabalho da polícia. O pedido, encaminhado na última segunda-feira à Vara Criminal do Fórum de Cotia, onde a prisão foi determinada, alega que as investigações já foram concluídas.

Elize ainda pode ser mantida presa na delegacia de Itapevi, na Grande São Paulo, caso a prisão provisória seja convertida em preventiva, o que o delegado que investiga o caso diz que deve pedir. Santoro também defende que isso não deve ocorrer porque a acusada não apresenta risco de fuga ou de reincidir no crime, requisitos para esse tipo de detenção. “Acho um absurdo [a prisão] porque ela colaborou com as investigações, apontou aonde a perícia deveria recolher provas no apartamento”, disse.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP), a polícia aguarda apenas a conclusão dos laudos periciais para encerrar o inquérito e enviá-lo à Justiça. O diretor geral do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Jorge Carrasco, explicou que nenhuma outra testemunha deve ser ouvida . "Todos os depoimentos já aconteceram", disse ao iG. Segundo o delegado, a polícia deve pedir a prisão preventiva de Elize.

Entenda o caso

Elize Matsunaga foi presa temporariamente na última segunda-feira acusada de matar e esquartejar o marido, Marcos Kitano Matsunaga no dia 19 de maio. A prisão foi decretada por cinco dias e depois prorrogada até 24 de junho. A acusada será indiciada por homicídio qualificado (cuja pena pode variar de 12 a 30 anos), com uma série de agravantes, como ocultação de cadáver, motivo fútil e esquartejamento. Elize está no centro penitenciário feminino de Itapevi (SP).

Elize teria matado o ex-diretor da Yoki Alimentos com um tiro de calibre 380 na cabeça após uma briga por causa de um caso extraconjugal mantido pelo empresário . O casal chegou junto ao prédio onde morava no dia 19 de maio, na companhia da filha e de uma babá que trabalhava no apartamento – dispensada logo em seguida. Na noite do dia 19, as câmeras do circuito interno do condomínio registram o ex-diretor da Yoki descendo para pegar uma pizza – ele não seria mais visto a partir de então.

Segundo os policiais, o tiro fatal aconteceu por volta das 20h, quando só estavam no apartamento Elize, Marcos e a filha (dormindo em outro quarto). Elize deixou o corpo por dez horas em um dos quartos. Depois, o arrastou até outro cômodo da casa, onde o esquartejou. Neste momento, outra babá já estava no apartamento (chegou por volta das 5h30 do dia 20), mas ela não ouviu nenhum barulho, pois a residência é muito grande. No dia 20, Elize deixou o apartamento por volta das 11h30, carregando malas, e ficou ausente por 12 horas. Ela só retornou às 23h50, sem as malas.

No dia 27 de maio, várias partes do corpo de Marcos foram encontradas na região de Cotia, inclusive a cabeça. No dia seguinte, houve o reconhecimento formal do corpo pelos familiares do empresário. De acordo com os investigadores do DHPP, durante toda a madrugada da última terça-feira foram feitas diligências pelos policiais no apartamento do casal, na zona oeste de São Paulo, nas quais foi utilizado luminol, um reagente químico que localiza manchas de sangue.

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