Justiça nega pedido de liberdade a Elize Matsunaga

Para juiz, acusada deve permanecer presa até o fim do inquérito policial; advogado alega que mulher colaborou com as investigações

iG São Paulo | - Atualizada às

AE
Elize Matsunaga chega a delegacia em São Paulo para depor

A Vara Criminal de Cotia negou nesta terça-feira o pedido para revogar a prisão provisória de Elize Matsunaga, acusada de matar e esquartejar o marido Marcos Kitano Matsunaga, ex-diretor da Yoki Alimentos. A defesa alegou que os procedimentos das investigações estavam encerrados, mas o entendimento do juiz foi de que o inquérito não foi enviado à Justiça, portanto ainda está em curso. O Ministério Público também opinou contra a liberação da acusada.

Segundo a decisão do juiz Théo Assuar Gragnano, responsável pelo caso, não se pode “presumir que a autoridade policial esteja protelando desnecessariamente a conclusão das investigações”. Para ele, pedir que os autos sejam levados à Justiça para avaliar a revogação “poderia acarretar embaraço à investigação, prolongando ainda mais a sua conclusão”.

Luciano Santoro, advogado de Elize, também queria impedir uma eventual prisão preventiva, mas a decisão não considera a tentativa porque o pedido ainda não foi feito. O diretor geral do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Jorge Carrasco, explicou que a polícia deve fazer o pedido com o fim do inquérito.

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Para o advogado, a acusada não representa risco de fuga e colaborou com as investigações. “Ela teve quinze dias para fugir, desde a morte até a prisão, não vai fazer isso agora”. Santoro foi contatado, mas não respondeu para comentar a decisão até o fechamento da reportagem.

Entenda o caso

Elize Matsunaga foi presa temporariamente na última segunda-feira acusada de matar e esquartejar o marido, Marcos Kitano Matsunaga no dia 19 de maio. A prisão foi decretada por cinco dias e depois prorrogada até 24 de junho. A acusada será indiciada por homicídio qualificado (cuja pena pode variar de 12 a 30 anos), com uma série de agravantes, como ocultação de cadáver, motivo fútil e esquartejamento. Elize está no centro penitenciário feminino de Itapevi (SP).

Elize teria matado o ex-diretor da Yoki Alimentos com um tiro de calibre 380 na cabeça após uma briga por causa de um caso extraconjugal mantido pelo empresário . O casal chegou junto ao prédio onde morava no dia 19 de maio, na companhia da filha e de uma babá que trabalhava no apartamento – dispensada logo em seguida. Na noite do dia 19, as câmeras do circuito interno do condomínio registram o ex-diretor da Yoki descendo para pegar uma pizza – ele não seria mais visto a partir de então.

Segundo os policiais, o tiro fatal aconteceu por volta das 20h, quando só estavam no apartamento Elize, Marcos e a filha (dormindo em outro quarto). Elize deixou o corpo por dez horas em um dos quartos. Depois, o arrastou até outro cômodo da casa, onde o esquartejou. Neste momento, outra babá já estava no apartamento (chegou por volta das 5h30 do dia 20), mas ela não ouviu nenhum barulho, pois a residência é muito grande. No dia 20, Elize deixou o apartamento por volta das 11h30, carregando malas, e ficou ausente por 12 horas. Ela só retornou às 23h50, sem as malas.

No dia 27 de maio, várias partes do corpo de Marcos foram encontradas na região de Cotia, inclusive a cabeça. No dia seguinte, houve o reconhecimento formal do corpo pelos familiares do empresário. De acordo com os investigadores do DHPP, durante toda a madrugada da última terça-feira foram feitas diligências pelos policiais no apartamento do casal, na zona oeste de São Paulo, nas quais foi utilizado luminol, um reagente químico que localiza manchas de sangue.

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