Maior preocupação de Elize é a filha, diz advogado

Luciano Santoro confirma que sua cliente foi parada pela Polícia Rodoviária antes de se desfazer do corpo e que mandou e-mail falso se passando por Marcos

Fábio Matos , iG São Paulo | - Atualizada às

A maior preocupação de Elize Kitano Matsunaga, que confessou ter assassinado e esquartejado o marido e empresário Marcos Kitano Matsunaga, não é com o seu próprio futuro, mas com a filha, segundo o advogado, Luciano Santoro. A criança está sendo cuidada por uma tia de Elize no apartamento onde o casal morava, em São Paulo.

Reprodução/Futurapress
Imagens mostram mulher de executivo da Yoki saindo com malas com pedaços do corpo

“A preocupação dela é com a filha. Ela se preocupa mais com a filha do que consigo mesma, para ser bem sincero com você. A preocupação é se ela (a filha) está bem, se a rotina dela está funcionando bem, em como ela está, essas coisas. Estive hoje com ela de novo, temos mantido um contato muito próximo”, afirmou Santoro ao iG .

Na última sexta-feira, o advogado contratado pela família de Marcos, Luiz Flávio Borges D’Urso, revelou a intenção dos pais do empresário de não disputar a guarda da criança na Justiça . “Não haverá disputa, em princípio. A preocupação única e exclusiva com o bem-estar da criança.  O pai do Marcos conversou com a tia pelo telefone e tem uma boa impressão dela”, disse D’Urso na ocasião.

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Marcos Kitano Matsunaga, do grupo Yoki

O advogado de Elize segue a mesma linha de raciocínio. “A minha ideia é exatamente a mesma. Não acho que seja sadio para a criança uma disputa judicial, muito menos depois de tudo isso o que já aconteceu. Não quero uma disputa. Consensualmente, acredito que possamos chegar a uma solução”, diz Santoro.

A tia de Elize veio do Paraná a São Paulo para ficar com a criança. A mãe de Elize está com a saúde debilitada e fazendo um tratamento para combater o câncer. O pai já é falecido. Ainda não há previsão sobre quando a discussão a respeito da guarda da criança será colocada à mesa, mas as duas partes esperam um acordo. 

Humilhações e e-mail falso

O advogado de Elize Kitano Matsunaga reforçou a versão apresentada por sua cliente em depoimento aos investigadores do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de que o relacionamento com o empresário estava desgastado há algum tempo. Santoro diz que Elize confirma uma série de discussões e até humilhação por parte de Marcos durante algumas brigas do casal.

“Não digo (que Marcos era) violento. Mas há uns 6 meses ele estava muito agressivo, humilhando muito ela. A Elize suspeitava de algumas traições. No meio dessas discussões, ele (Marcos) falava muito da família dela, falava muito mal do pai falecido da Elize e de outras questões de ordem moral”, conta Santoro. Quando conheceu Marcos, em 2004, Elize trabalhava como garota de programa. “Mas essa questão nunca foi um problema entre eles”, minimiza o advogado.

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Comprovando a tese que já era sustentada pelos delegados que acompanharam o caso desde a prisão de Elize, Santoro confirma que sua cliente já havia conversado com Marcos a respeito da possibilidade de o casal se divorciar. O crime é tratado como passional.

“Esse era um assunto que eles estavam tratando bastante. Há dois anos, ela já tinha falado em separação com ele, mas depois acabou desistindo porque ficou grávida”, diz. “Há uns 6 meses, isso voltou a ser discutido, justamente no momento em que a relação dos dois se deteriorou muito.” Elize chegou a contratar um detetive para espionar o empresário.

Santoro também confirmou que Elize chegou a mandar um e-mail falso à família do marido alguns dias após matá-lo. Em sua confissão aos policiais, a mulher revelou que tinha acesso à senha do e-mail de Marcos e, por meio dela, escreveu para o irmão do empresário três dias depois de sua morte, em uma tentativa de tranquilizá-los e despistar a polícia – se passando pelo marido, dizia que estava tudo bem. Àquela altura, a família de Marcos já havia prestado queixa sobre seu desaparecimento. Depois do e-mail falso, Elize quebrou o computador e o jogou no lixo.

Parada pela polícia na estrada

Quando deixou o apartamento dirigindo seu carro e levando as três malas com os pedaços do corpo de Marcos guardados em sacos plásticos, Elize foi parada no meio do caminho por policiais. O advogado da bacharel em Direito confirmou que ela foi abordada por agentes da Polícia Rodoviária e multada por causa do licenciamento vencido do veículo.

Segundo Santoro, duas malas estavam no porta-malas do veículo, em pé, e uma ficou no banco de trás. Quando ela foi parada pelos policiais na estrada, nenhum deles percebeu do que se tratava. “As três malas estavam no carro neste momento”, confirma o advogado. Após ser multada e liberada, Elize se desfez dos pedaços do corpo na região de Cotia (SP).

O advogado de Elize não adiantou qual é a estratégia de defesa que pretende adotar para diminuir a pena à autora do crime que tirou a vida do ex-diretor da Yoki. “Na verdade, o Ministério Público ainda não fez a denúncia. Depois que isso acontecer, vamos pensar mais detalhadamente na estratégia de defesa. Por enquanto, é evidente que não posso adiantar nada”, diz Santoro.

Elize Matsunaga, que teve a prisão temporária (válida por cinco dias) decretada na última segunda-feira, permanecerá presa. Na quarta-feira, foi concedida pela Justiça a prorrogação dessa prisão temporária por mais 15 dias, e a intenção da polícia é tentar prorrogar esse período mais uma vez. Elize será indiciada por homicídio qualificado (cuja pena pode variar de 12 a 30 anos), com uma série de agravantes, como ocultação de cadáver, motivo fútil e esquartejamento. Ela está detida no centro penitenciário feminino de Itapevi (SP).

Na última quinta-feira, em entrevista ao iG , o diretor do DHPP, delegado Jorge Carrasco, afirmou que o caso está praticamente encerrado . “O depoimento da babá não acrescentou praticamente nada. Ela não teve nenhum envolvimento com o ocorrido. A babá não tem nada a ver com o crime e a investigação está praticamente encerrada”, disse Carrasco. Na madrugada de quarta para quinta-feira, uma das babás que trabalhava no apartamento do casal foi ouvida pelos investigadores.

Entenda o caso

Várias partes do corpo de Marcos foram encontradas no dia 27 de maio, na região de Cotia, inclusive a cabeça. No dia seguinte, houve o reconhecimento formal do corpo pelos familiares do empresário.

O casal chegou junto ao prédio onde morava no dia 19 de maio, na companhia da filha e de uma babá que trabalhava no apartamento – dispensada logo em seguida. Na noite do dia 19, as câmeras do circuito interno do condomínio registram o ex-diretor da Yoki descendo para pegar uma pizza – ele não seria mais visto a partir de então.

Segundo os policiais, o tiro fatal aconteceu por volta das 20h, quando só estavam no apartamento Elize, Marcos e a filha (dormindo em outro quarto). Elize deixou o corpo por dez horas em um dos quartos. Depois, o arrastou até outro cômodo da casa, onde o esquartejou. Neste momento, uma outra babá já estava no apartamento (chegou por volta das 5h30 do dia 20), mas ela não ouviu nenhum barulho, pois a residência é muito grande. No dia 20, Elize deixa o apartamento por volta das 11h30, carregando malas, e fica 12 horas ausente. Ela só volta às 23h50, sem as malas.

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