Criança está bem com a tia de Elize e não há disputa, diz advogado dos Matsunaga

Em entrevista ao iG, Luiz Flávio Borges D'Urso, contratado pelos pais de empresário esquartejado, diz que família confia na tia de Elize e não vai travar batalha judicial pela guarda

Fábio Matos , iG São Paulo | - Atualizada às

A família do empresário Marcos Kitano Matsunaga, ex-diretor da Yoki Alimentos, morto e esquartejado pela bacharel em Direito Elize Kitano Matsunaga no último dia 19 de maio, não pretende travar uma disputa judicial pela guarda da filha do casal, de pouco mais de um ano. É o que disse nesta sexta-feira à reportagem do iG o advogado contratado pelos pais de Marcos, Luiz Flávio Borges D’Urso. A criança está sob os cuidados de uma tia de Elize no apartamento onde ela morava com Marcos, na zona oeste de São Paulo.

“Não haverá disputa (pela criança), em princípio. A posição da família, e ontem mesmo nós conversamos sobre isso, é a preocupação única e exclusiva com o bem-estar da criança. Neste momento, ela está com a tia [de Elize]. E está sendo bem cuidada. O pai do Marcos conversou com a tia pelo telefone e tem uma boa impressão dela”, afirmou D’Urso.

“Eles estão no apartamento e tendo toda a assistência. A preocupação da família não é com nenhuma disputa (pela guarda). A criança está bem assistida. Neste momento, não há preocupação em relação a isso”, concluiu o advogado. D'Urso disse não ter nenhuma informação a respeito da intenção da mãe de Elize (avó da criança) de pedir ou não a guarda da neta. 

Briga entre Marcos e Elize

Luiz Flávio Borges D’Urso também falou sobre a versão do advogado de Elize, Luciano Santoro, que disse à "Folha de S.Paulo" que sua cliente matou e esquartejou o marido por ter sido ameaçada pelo próprio Marcos de perder a guarda da criança em uma possível separação. “O casal atravessava uma crise conjugal havia pelo menos seis meses e, nesse período, Elize pediu a separação três vezes, mas o Marcos dizia que se ela fosse embora ficaria sem a filha. E a Elize pensou como a mãe que nunca aceitaria ficar longe da filha”, disse Santoro ao jornal em reportagem publicada na edição desta sexta.

“Na verdade, ela fala sobre isso na confissão dela, quando diz que, na discussão, ela apontou a história da amante”, afirmou D’Urso, citando a versão de Elize de que havia descoberto que o marido mantinha uma relação extraconjugal. “É neste momento que ela diz que quer se separar.” Entretanto, o advogado da família Matsunaga diz que não tem conhecimento que a bacharel em Direito já havia pedido a separação em três ocasiões.

Elize até contratou um detetive para seguir os passos do marido e ele confirmou que Marcos a traía, mas, segundo a polícia, não apresentou nenhuma prova documental. Até o momento, a reportagem do iG não conseguiu localizar o advogado de Elize, Luciano Santoro. 

Os investigadores do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) continuam os trabalhos e esperam encontrar nos próximos dias as malas usadas por Elize para guardar os sacos plásticos com os pedaços do corpo de Marcos e a faca de 30 centímetros que ela utilizou para esquartejá-lo. Na última quinta-feira, em entrevista ao iG, o diretor do DHPP, delegado Jorge Carrasco, afirmou que o caso está praticamente encerrado .

“O depoimento da babá não acrescentou praticamente nada. Ela não teve nenhum envolvimento com o ocorrido. A babá não tem nada a ver com o crime e a investigação está praticamente encerrada”, disse Carrasco. Na madrugada de quarta para quinta-feira, uma das babás que trabalhava no apartamento do casal foi ouvida pelos investigadores.

Agência Estado
Elize Matsunaga, que confessou ter matado e esquartejado o marido; família da vítima não brigará por criança

Primeira reconstituição

Ainda na noite de quarta-feira, peritos da polícia iniciaram por volta das 21h uma nova perícia, que funcionou como uma espécie de reconstituição do crime, no apartamento do casal, na zona oeste de São Paulo, com a presença de Elize. Ao todo, nove peritos participaram da ação, chefiados pelo delegado Mauro Dias, titular da equipe F-Sul do DHPP e responsável pelas investigações do caso.

Os trabalhos dos peritos varreram a madrugada e duraram cerca de sete horas, reforçando a versão de Elize de que teria atirado em Marcos, deixado o corpo em um dos quartos durante dez horas e depois o arrastado até um quarto de hóspedes e o esquartejado. Os peritos chegaram a levar um boneco para simular o empresário na reconstituição. Também foi utilizado luminol, um reagente químico para localizar manchas de sangue no apartamento. Na primeira perícia, realizada pela polícia sem a presença de Elize, foi encontrado pouco sangue no local. Mas o delegado Carrasco, na coletiva da última quarta-feira na sede do DHPP, disse que o corpo de Marcos entrou em “rigidez cadavérica” após ficar dez horas em um dos quartos e, com isso, houve coagulação do sangue.

Durante a reconstituição, Elize confirmou que utilizou uma arma de calibre 380 – dada a ela, de presente, pelo próprio Marcos – para cometer o crime. Ao contrário do que chegou a ser dito anteriormente, essa arma não estava entre aquelas que foram entregues por Elize para a Guarda Civil Metropolitana (GCM), supostamente como doação para a campanha do desarmamento. A arma já foi apreendida. Também foi encontrado um verdadeiro arsenal de armas na residência do casal - Marcos era colecionador. Mais de 30 foram apreendidas.

Carlos Pessuto/Futura Press
Elize confessou, em depoimento na última quarta-feira, que matou e esquartejou o marido; crime foi passional, diz polícia


Entenda o caso

Várias partes do corpo de Marcos foram encontradas no dia 27 de maio, na região de Cotia, inclusive a cabeça. No dia seguinte, houve o reconhecimento formal do corpo pelos familiares do empresário.

O casal chegou junto ao prédio onde morava no dia 19 de maio, na companhia da filha e de uma babá que trabalhava no apartamento – dispensada logo em seguida. Na noite do dia 19, as câmeras do circuito interno do condomínio registram o ex-diretor da Yoki descendo para pegar uma pizza – ele não seria mais visto a partir de então.

Segundo os policiais, o tiro fatal aconteceu por volta das 20h, quando só estavam no apartamento Elize, Marcos e a filha (dormindo em outro quarto). Elize deixou o corpo por dez horas em um dos quartos. Depois, o arrastou até outro cômodo da casa, onde o esquartejou. Neste momento, uma outra babá já estava no apartamento (chegou por volta das 5h30 do dia 20), mas ela não ouviu nenhum barulho, pois a residência é muito grande. No dia 20, Elize deixa o apartamento por volta das 11h30, carregando malas, e fica 12 horas ausente. Ela só volta às 23h50, sem as malas.

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