Mulher de executivo esquartejado depõe em São Paulo

Advogado não assume defesa de Elize e diz que ela passa por ‘tempestade mental’ e precisa de tratamento

Fábio Matos , iG São Paulo | - Atualizada às

AE
Elize Matsunaga, mulher do executivo assassinado

Enquanto o depoimento da bacharel em Direito Elize Kitano Matsunaga acontece na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em São Paulo, nesta quarta-feira, o advogado José Beraldo, que acompanhou a suspeita de ter assassinado o empresário Marcos Kitano Matsunaga em sua chegada para o interrogatório, anunciou que não vai assumir a defesa de Elize. Ela já havia constituído advogado de defesa, que será Luciano Santoro.

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Elize teve a prisão temporária (válida por cinco dias) decretada na última segunda-feira e estava no centro penitenciário feminino de Itapevi (SP). Nesta quarta, a prisão foi prorrogada por 30 dias.

Beraldo, que conversou com Elize esta manhã, também disse que ela está passando por uma “tempestade mental” e precisa de tratamento o mais rápido possível.

“Ela não tem condições de ser interrogada. É uma moça fragilizada que está passando por uma tempestade mental. Não tem como ser passar por nenhum tipo de interrogatório ou dar algum depoimento neste momento. Ela precisa ser tratada urgentemente, a meu ver”, afirmou Beraldo.

Elize chegou ao local por volta das 10h e está respondendo às perguntas dos investigadores Mauro Dias, delegado responsável pelo caso, e Jorge Carrasco, diretor do DHPP. Ela é a principal suspeita pelo assassinato e esquartejamento do empresário. A filha do casal, de pouco mais de um ano, está neste momento no apartamento de Marcos e Elize, na zona oeste de São Paulo, junto com uma tia e uma babá. A polícia investiga a participação de terceiros no crime.

“Quando cheguei hoje cedo à cadeia (penitenciária feminina em Itapevi), ela me relatou que já havia constituído um advogado. Não vou assumir esse caso por questão de ética profissional. Mas ela está muito bem orientada”, afirmou Beraldo.

‘Precisão cirúrgica’

O advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, contratado pelos pais de Marcos para representar a família no caso, falou rapidamente com os jornalistas e não quis comentar sobre o conteúdo do depoimento de Elize. “Ela está falando, está respondendo às perguntas das autoridades. Mas isso só será detalhado na entrevista de logo mais”, afirmou.Os delegados responsáveis pelo caso falarão aos repórteres às 16h, depois do interrogatório.

“O que se pode dizer é que quem esquartejou o Marcos é alguém que conhece anatomia”, disse D’Urso. “Não há cortes que esgarçaram a carne humana”, completou o advogado, falando em uma precisão “quase cirúrgica” de quem cometeu o crime. Elize fez curso de enfermagem.

“É uma situação complexa. É possível que uma só pessoa tenha feito tudo isso? É possível. Mas é difícil”, concluiu D’Urso, citando o assassinato e esquartejamento do corpo de Marcos, além da refrigeração das partes do corpo.

Entenda o caso


Várias partes do corpo de Marcos foram encontradas no dia 27 de maio, na região de Cotia, inclusive a cabeça. No dia seguinte, houve o reconhecimento formal do corpo pelos familiares do empresário. De acordo com os investigadores do DHPP, durante toda a madrugada da última terça-feira foram feitas diligências pelos policiais no apartamento do casal, na zona oeste de São Paulo, nas quais foi utilizado luminol, um reagente químico que localiza manchas de sangue. Essa perícia deve continuar durante esta quarta.

De acordo com os investigadores, o casal chegou junto ao prédio onde morava no dia 19 de maio, na companhia da filhinha de pouco mais de 1 ano e das empregadas que trabalhavam no apartamento. No dia seguinte, os empregados foram dispensados e Elize e Marcos ficaram sozinhos com a criança no local. No dia 19, as câmeras do circuito interno registram o ex-diretor da Yoki descendo para pegar uma pizza – ele não seria mais visto a partir de então. No dia 20, Elize deixa a residência por volta das 11h30, carregando malas, e fica 12 horas ausente. Uma babá teria retornado ao apartamento poucas horas depois, no início da manhã. Mas Elize só volta às 23h50, sem as malas.

Este é o primeiro depoimento formal de Elize aos investigadores. Até então, ela havia falado apenas informalmente e negado qualquer envolvimento com a morte do marido.

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