Após 8 horas de depoimento, delegado acredita que Elize agiu sozinha

Mulher de Marcos Kitano Matsunaga disse que matou o marido com um tiro e o esquartejou cerca de 10 horas depois, usando um faca de 30 centímetros

Fábio Matos , iG São Paulo | - Atualizada às

Após cerca de oito horas de depoimento da bacharel em Direito Elize Kitano Matsunaga, nesta quarta-feira, na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em São Paulo, o diretor geral do órgão, delegado Jorge Carrasco, disse acreditar na versão de que ela assassinou e esquartejou sozinha o empresário Marcos Kitano Matsunaga, ex-diretor da Yoki Alimentos, sem a ajuda de outras pessoas. Em seu primeiro depoimento formal aos investigadores, Elize confessou o crime .

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AE
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“Não tenho dúvida sobre a autoria e a materialidade. Nós ainda procederemos as investigações, mas, dada a avaliação do depoimento, eu acredito que ela agiu sozinha mesmo”, disse Carrasco em uma tumultuada entrevista coletiva concedida logo após o fim do interrogatório de Elize. “Ela esmiuçou detalhes sobre uma discussão conjugal”, continuou o delegado, confirmando a tese inicial da polícia de crime passional. Segundo ele, Elize deu um tiro na cabeça de Marcos e, mais tarde, esquartejou o empresário, por conta da suspeita de que havia sido traída pelo marido.

De acordo com Carrasco, Elize assassinou o marido e deixou o corpo por 10 horas em um dos quartos do apartamento do casal, na zona oeste de São Paulo, no dia 19 de maio. “Depois de dar o tiro fatal, ela limpou o chão. Após ficar no quarto por dez horas, o corpo entrou em rigidez cadavérica, e aí coagulou o sangue”, explicou o delegado, justificando a quantidade pequena de sangue verificada pelas perícias realizadas no apartamento. Elize, então, arrastou o corpo até o banheiro de hóspedes da casa – ainda não periciado – e executou o esquartejamento.

“Não houve premeditação. Acredito que (o que motivou o crime) foi mesmo a briga”, disse Carrasco. “Ela depôs com muita naturalidade nas declarações. Foi convincente.” Segundo o diretor do DHPP, Elize utilizou uma faca de 30 centímetros para esquartejar o corpo de Marcos. De acordo com o depoimento, primeiro ela cortou nas cartilagens e tirou os membros inferiores e superiores. Depois, cortou a barriga. E, por último, a cabeça. Antes do esquartejamento, o tiro foi dado por volta das 20h do dia 19, disse Carrasco.

Na manhã de domingo, dia 20 de maio, a bacharel em Direito levou pedaços do corpo em malas até a região de Cotia (SP). Sete dias depois, essas partes foram encontradas pelos policiais. Elize se desfez das malas e da faca, que foram jogadas em outro local e serão procuradas pelos investigadores. “Nós vamos fazer diligências para que possamos apreender essas malas e a faca. Agora à noite, também haverá uma nova perícia no apartamento do casal”, confirmou o delegado.

Elize Matsunaga, que teve a prisão temporária (válida por cinco dias) decretada na última segunda-feira, terá de ficar presa por mais tempo. Nesta quarta, foi concedida pela Justiça a prorrogação dessa prisão temporária por mais 15 dias. Elize será indiciada por homicídio qualificado (cuja pena pode variar de 12 a 30 anos), com uma série de agravantes, como ocultação de cadáver, motivo fútil e esquartejamento. Elize está no centro penitenciário feminino de Itapevi (SP).

Ainda de acordo com o delegado Jorge Carrasco, a arma utilizada por Elize para matar Marcos era de calibre 380 e estava dentro do apartamento do casal. Ao contrário do que chegou a ser dito mais cedo, essa arma não estava entre aquelas que foram entregues por Elize para a Guarda Civil Metropolitana (GCM), supostamente como doação para a campanha do desarmamento. A arma já foi apreendida.

O diretor geral do DHPP também descartou completamente a hipótese de Elize ter congelado as partes do corpo do empresário nos vários refrigedores que existem no apartamento. “Tudo indica que teremos de fazer uma reconstituição (do crime), mas possivelmente não será hoje”, informou Carrasco.

Além do depoimento de Elize, ainda deve ser ouvida uma das babás que trabalha no apartamento do casal. Ao final da entrevista do delegado, o advogado contratado pela família de Marcos Matsunaga, Luiz Flávio Borges D’Urso, pediu a palavra e fez um agradecimento público aos investigadores do DHPP. “A família (de Marcos) está triste, chocada, mas agora está confortada”, afirmou.

Entenda o caso

Várias partes do corpo de Marcos foram encontradas no dia 27 de maio, na região de Cotia, inclusive a cabeça. No dia seguinte, houve o reconhecimento formal do corpo pelos familiares do empresário. De acordo com os investigadores do DHPP, durante toda a madrugada da última terça-feira foram feitas diligências pelos policiais no apartamento do casal, na zona oeste de São Paulo, nas quais foi utilizado luminol, um reagente químico que localiza manchas de sangue. Essa perícia deve continuar durante esta quarta.

De acordo com os investigadores, o casal chegou junto ao prédio onde morava no dia 19 de maio, na companhia da filhinha de pouco mais de 1 ano e das empregadas que trabalhavam no apartamento. No dia seguinte, os empregados foram dispensados e Elize e Marcos ficaram sozinhos com a criança no local. Na noite do dia 19, as câmeras do circuito interno registram o ex-diretor da Yoki descendo para pegar uma pizza – ele não seria mais visto a partir de então. No dia 20, Elize deixa a residência por volta das 11h30, carregando malas, e fica 12 horas ausente. Uma babá teria retornado ao apartamento, às 5 horas da manhã. Mas Elize só volta às 23h50, sem as malas.

Este foi o primeiro depoimento formal de Elize aos investigadores. Até então, ela havia falado apenas informalmente e negado qualquer envolvimento com a morte do marido. Hoje, confessou o crime.

Elize chegou à sede do DHPP por volta das 10h desta quarta-feira, acompanhada pelo advogado José Beraldo, que depois afirmou que não assumiria o caso. A bacharel em Direito será defendida pelo advogado Luciano Santoro.

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