Na Cracolândia, 72% dos moradores de rua afirmam que nada mudou

Segundo pesquisa da Secretaria Municipal de Assistência Social, 17,2% dos moradores de rua acreditam que situação piorou na região

AE |

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Frâncio de Holanda
Usuários se aglomeram na Cracolândia
Boa parte dos moradores de rua da região central de São Paulo acha que de nada adiantou a operação da Polícia Militar na Cracolândia. Pesquisa inédita da Secretaria Municipal de Assistência Social revela que 72,3% deles afirmam que a intervenção policial - que completa cinco meses neste domingo - não mudou suas vidas. Outros 17,2% acreditam que a situação piorou - sobretudo por causa da violência dos agentes de segurança - e o restante vê progresso ou não respondeu.

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A pesquisa foi feita com uma amostra de 380 pessoas, retirada do grupo de 6.675 pessoas que moram nas ruas e não são atendidos pelos albergues da Prefeitura. O estudo foi realizado de janeiro a março por pesquisadores da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.

Entre os moradores de rua que presenciaram a ação, 14,2% disseram ter sofrido alguma agressão policial. E 23,5% criticaram a investida da PM porque, segundo eles, a cracolândia apenas mudou de endereço.

Essa segregação é apontada como a principal consequência positiva da operação para os 10,5% dos entrevistados que aprovaram a ação. Eles destacaram também a diminuição da oferta de crack. "Como tem menos droga, fumo menos", confirmou Robson da Silva, de 29 anos.

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Fora do centro, a operação continua a causar discussão. Para a defensora pública Daniela Skromov, é uma ação "apenas de limpeza, que não deu certo". O prefeito Gilberto Kassab (PSD) afirmou que "se avançou muito", mas reconhece que há muito por fazer. O Ministério Público ameaça ir à Justiça para contestar a operação, sob argumento de que tráfico e consumo persistem na região mesmo com a PM.

Enquanto isso, o Complexo Prates - espaço de 11 mil m² construído pela Prefeitura para tratar os viciados - atende uma média de 180 pessoas por dia, 15% de sua capacidade. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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