Tecnologia da Progressão de Idade da Polícia Civil faz parte do programa de busca aos menores desaparecidos lançado hoje pelo governo

O governo do Estado de São Paulo inaugurou nesta sexta-feira o programa “São Paulo em Busca das Crianças e dos Adolescentes Desaparecidos”, no Palácio dos Bandeirantes, na zona sul da capital. O evento contou com a presença do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Na ocasião, foi criada ainda uma Comissão Permanente da Criança e do Adolescente, que envolve as Secretarias de Estado da Segurança Pública, Justiça e Defesa da Cidadania Direito das Pessoas com Deficiência, Desenvolvimento Social, Educação e Saúde.

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A inauguração do pacote de ação marcou também o dia 25 de Maio como o “Dia Estadual da Criança e Adolescente Desaparecidos”. O decreto, assinado pelo governador, obriga a identificação, por fotografia digitalizada, de todas as crianças e adolescentes até 18 anos, em cada matrícula ou renovação de inscrições nas instituições de ensino (incluindo creches) e de saúde.

No telão, um exemplo de Progressão de Idade de uma criança desaparecida há 19 anos em São Paulo
Divulgação/SSP
No telão, um exemplo de Progressão de Idade de uma criança desaparecida há 19 anos em São Paulo

Segundo o governador, o objetivo é abastecer o banco de dados do Estado com fotos e informações atualizadas. "Precisamos prevenir e encontrar os desaparecidos por meio das informações atuais do banco de dados da polícia. Por isso, a importância de se atualizar essa fonte importante de informações", explicou.

A grande aposta do programa é a Progressão de Idade em 3D realizado pela equipe forense do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil de São Paulo. Com um tempo médio de preparo de 30 dias, o novo retrato poderá “dar nova chance” às famílias que têm crianças desaparecidas há muitos anos. “Não podemos desistir dessas crianças. Acredito que não há dor mais profunda e dura de uma família que passa por essa experiência”, disse Alckmin.

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O coordenador da arte forense do DHPP, Sidney Barbosa, explicou que o novo método pode sim resgatar buscas que já duram pelo menos 10 ou 20 anos. “É feita uma análise das características da família e fotos da vítima em diferentes fases até o desaparecimento”. Barbosa contou ainda que tal método é definitivo na identificação de vítimas em imagens das câmeras de seguranças. “Tínhamos uma imagem do desaparecido, mas o ângulo não favorecia seu reconhecimento. Agora não há mais esse empecilho.”

Atualmente há 40 mil pessoas desaparecidas em todo o Brasil, sendo 9.000 no Estado de São Paulo. O secretário de Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, informou que em 2011, 9.395 crianças e adolescentes desapareceram e 7.541 voltaram para seus lares. Neste ano, de janeiro a abril, 3.529 sumiram e 2.766 retornaram às suas casas.

Violência doméstica


A secretária de Pessoas com Deficiências, Linamara Batistella, informou que 70% dos desparecimentos estão relacionados à violência domestica e a maioria vê a fuga como solução para os problemas no lar. Entre essas que decidem fugir, a maioria (53%) é reincidente. “Elas (as crianças) estão cansadas de brigas, violência física e trocam a segurança da casa pela rua”.

O programa “São Paulo em Busca das Crianças e dos Adolescentes Desaparecidos” está presente a partir de hoje em forma de cartazes nos vagões dos trens do Metrô e da Companhia Paulista dos Trens Metropolitanos (CPTM). Na próxima terça-feira (5), será realizada a capacitação dos profissionais das estações para que reconheçam uma criança ou adolescente em situação de risco.

O que fazer

Em caso de desaparecimento, a família deve ligar imediatamente para o 190 e ir até uma delegacia para fazer o boletim de ocorrência. Desde 2005, não é necessário esperar 24h para comunicar a polícia. O Boletim de Ocorrência (B.O.) pode ser feito no DP mais próximo ou pela internet, clique aqui . É importante levar fotos e documentos da criança ou do adolescente desaparecido.

Ainda serão divulgados folders com informações e dicas para a prevenção do desaparecimento. São as principais: manter-se atento e não descuidar das crianças durante passeios; conversar e observar comportamentos diferentes; fazer a carteira de identidade (RG) o mais rápido possível e ensinar a criança a portá-la e ensinar seu nome, nomes dos pais, endereço e telefone. 

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