‘Se eu morrer, você vai ficar triste?’, pergunta Davi ao irmão mais velho

Pais e irmão de menor que atirou na professora e se matou prestam depoimento em São Caetano do Sul

Carolina Garcia, iG São Paulo |

AE
Milton Nogueira e Elenice Mota, pais de Davi, chegam a delegacia para prestar depoimento
A família de Davi Mota Nogueira, de 10 anos, que atirou contra uma professora e se matou depois, prestou depoimento, por quase três horas, no 3º DP em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. O irmão mais velho do menor relatou à delegada Lucy Mastellini Fernandes que, duas semanas antes do fato, Davi o questionou sobre sua possível morte. “Se eu morrer, você vai ficar triste?”, perguntou Davi ao irmão que, pela surpresa da pergunta, disse “claro que sim” e logo desconversou.

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Segundo a delegada, os depoimentos não revelaram o que teria levado Davi a atirar contra a professora da Escola Municipal Professora Alcina Dantas Feijão e se matar em seguida.

Questionada sobre o fato de a arma estar carregada no dia em que Davi a encontrou e a levou para escola, Lucy diz que o pai, por ter um compromisso pela manhã, a teria deixado carregada. “Foi um fato isolado. Ele nunca deixava a arma carregada.” O revólver estava a uma altura de 1,90 metro e sua localização não era mantida em segredo pelos pais.

Sobre um possível indiciamento do pai, a delegada diz que, até o momento, não vai indiciá-lo por negligência. “As crianças nunca demonstravam curiosidade neste sentido (de mexer com arma), segundo o pai. Eles eram orientados a não mexer com o revólver. Diante disso, nego que tenha havido negligência.”

A delegada acredita ser crucial ouvir a professora Rosileide Queirós Oliveira, de 38 anos, e colegas de classe do estudante. "É crucial para entender o ambiente da sala de aula. No ambiente familiar, não havia problemas." Pelo depoimento do irmão, Davi nunca relatou problemas com as três professoras e afirmava que sua preferida era Ana Paula.

Desenho

A família de Davi autorizou a divulgação de um desenho em que ele se retratava com 16 anos. Segundo a delegada, Elenice Mota, mãe do aluno, reconheceu o desenho feito por Davi e liberou a divulgação acreditando que ele não retrata um possível perfil violento do aluno.

Reprodução
Desenho feito por Davi no qual se retrata com 16 anos na escola

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