SP libera caminhões de gás e feira

O texto preliminar do decreto que vai restringir a circulação de caminhões em São Paulo já está desde ontem nas mãos do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Betoneiras, caminhões de mudança, de gás e de feira estão entre os veículos que terão autorização para fazer carga e descarga no centro expandido fora do horário estabelecido no projeto anunciado há um mês.

Agência Estado |

A minuta foi entregue ao prefeito pelo secretário municipal de Transportes, Alexandre de Moraes, no fim da tarde. Em conversa com o secretário, Kassab deixou claro que será tão rigoroso com a fiscalização desse decreto como foi com a Lei Cidade Limpa.

Há duas semanas, a Prefeitura sinalizou a possibilidade de publicar o texto em partes para que as exceções pudessem ser discutidas com os representantes dos setores que serão afetados. Mas o secretário de Transportes deve orientar o prefeito a publicar um decreto único sobre o tema. Por conta disso, a publicação no Diário Oficial da Cidade deve ser adiada em pelo menos mais uma semana. O prefeito ainda vai analisar se acata ou não as sugestões da secretaria, mas a expectativa é que sejam feitas poucas alterações.

Inicialmente, Kassab anunciou que publicaria um decreto com as seguintes determinações: os caminhões seriam proibidos de circular numa área de 100 quilômetros quadrados em São Paulo das 5 às 21 horas, com exceção das regiões da Zona Cerealista, do Pari e do Centro de Entrepostos e Armazéns Gerais (Ceagesp). A restrição valeria para todo tipo de caminhão e para todos os serviços. O decreto entrará em vigor 45 dias após a publicação.

Queixas

Kassab também divulgou mudanças no rodízio para esse tipo de veículo. A medida passaria a valer nas Marginais do Tietê e do Pinheiros e na Avenida dos Bandeirantes. Segundo o prefeito, a ampliação da restrição é "praticamente irreversível". Ele só admitiu aliviar a proibição de caminhões no centro expandido durante o dia.

Entre segunda e quarta-feira da semana passada, técnicos da secretaria de Transportes se reuniram com representantes do setor de serviços, de construção civil, de comércio e de logística. As entidades criticaram a proposta do Município, mas o secretário Alexandre de Moraes e o presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), Roberto Scaringella, que também participaram dos encontros, não demonstraram interesse em atender aos pedidos, segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo e Região (Setcesp), Francisco Pelúcio. "Não era o que queríamos, mas acho que não seremos levados em consideração na minuta."

O secretário somente se mostrou disposto a criar um período de transição um pouco maior para a adequação de alguns setores, como o comércio.O Setcesp defendia que as propostas fossem discutidas em audiência pública na Câmara. Para Pelúcio, a médio prazo as restrições obrigarão os estabelecimentos comerciais a disponibilizarem vagas para carga e descarga fora da via pública. Lojas de grande porte - acima de 10 mil metros quadrados - terão de funcionar 24 horas para as operações de carga e descarga. Tudo isso exigirá concessão de novos alvarás de funcionamento e deverá encarecer o frete tanto para a capital quanto para o interior do Estado.

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