SP gasta R$ 30 milhões e vende turismo em 8 Estados

Nos três primeiros meses deste ano, os dois maiores contratos assinados pela gestão do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), não foram nas áreas de Educação, Saúde ou Transporte, o tripé prioritário no Plano de Metas 2009-2012. Para divulgar a São Paulo turística, o governo chamou, por R$ 30 milhões, duas gigantes publicitárias, ambas com contratos milionários já assinados com a administração estadual de José Serra (PSDB).

Agência Estado |

As contratadas são a Lew Lara, que por R$ 19 milhões já responde pela Sabesp, e a Propeg Comunicação, responsável por parte da divulgação da CPTM, por R$ 14 milhões. Os dois contratos semestrais com a Prefeitura, de R$ 15 milhões cada, feitos por meio de licitações, preveem a produção de vídeos, informativos e campanhas sobre a cidade que já circulam em oito Estados do País.

Os R$ 30 milhões da propaganda representam 10% do valor total, de R$ 133 milhões, de todos os novos contratos assinados pelo governo municipal desde janeiro, conforme indica o site De Olho nas Contas. Nenhuma intervenção licitada contra as enchentes que alagaram a cidade nos últimos meses, por exemplo, saiu tão cara quanto os dois contratos publicitários. O terceiro contrato de maior valor, para o fornecimento de produtos hospitalares, custou R$ 11,3 milhões.

Recorde

Até o fim do ano, Kassab pretende gastar a quantia recorde de R$ 126 milhões com publicidade. Esse montante, segundo o prefeito vem argumentando desde dezembro, será investido principalmente em campanhas de prestação de serviços, como no combate à dengue e em informações sobre a coleta de lixo. Os gastos com propaganda já haviam crescido de R$ 39 milhões, em 2008, para R$ 90 milhões, no ano passado.

Para o presidente da São Paulo Turismo S.A. (SPTuris), Caio Carvalho, o turismo também se enquadra como prestação de serviços, uma vez que o setor apresentou nos dois primeiros meses do ano um crescimento inédito de 37,5% no volume arrecadado somente em hospedagens na rede hoteleira, ante os dois primeiros meses do ano passado - salto de R$ 19,2 milhões para R$ 24,3 milhões, turbinado principalmente pela realização da prova inédita da Fórmula Indy, da Campus Party e do carnaval.

Até o fim do primeiro semestre, de acordo com Carvalho, o calendário paulistano terá a Virada Cultural (15 e 16 de maio) e a Parada Gay (6 de junho), o que torna necessária a divulgação da capital. "Nós fomos bombardeados pela mídia com o noticiário sobre as enchentes. E, mesmo assim, o início do ano teve um desempenho recorde. Com certeza será o melhor ano da história do turismo em São Paulo e precisamos fazer a divulgação do nosso calendário. Não é um gasto para divulgar o governo", argumenta o presidente da SPTuris. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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