A gigante japonesa da alta tecnologia Sony anunciou esta semana que comercializará a partir do próximo ano televisores em 3D, o que iniciou a batalha pelo cobiçado mercado dos monitores em três dimensiones para o lar.

O aparelho Bravia LCD, apresentado na feira eletrônica de consumo IFA, não apenas permitirá assistir programas em três dimensões, como será "a peça central da experiência 3D da Sony", prometeu a empresa.

Os usuários poderão conectar o televisor ao console de jogos PlayStation (também da Sony), o que permitirá jogar em 3D, assim como ao Blu-Ray e ao computador.

Para garantir o sucesso comercial, a Sony está fabricando o equipamento necessário para que o espectador também possa ver programas normais em duas dimensões.

"É o momento perfeito para fazer um anúncio como este, mas os planos são ambiciosos", afirmou à AFP Ralf Tanger, especialista em tecnologia 3D do Instituto de Pesquisas Fraunhofer Heinrich Hertz.

Os filmes em três dimensões existem há muitos anos. Em 1946, a União Soviética fez "Robinson Crusoé", primeiro filme com áudio em cores e em 3D, e nos anos 50 foram lançados mais de 60 filmes com a tecnologia, incluindo "Disque M para Matar" de Alfred Hitchcock, antes que os grandes estúdios abandonassem o 3D.

Nos anos 70 e início dos 80 os estúdios testaram a tecnologia em longas como "Tuburão 3D" ou "Sexta-Feira, Parte 3". Antes da exibição, os cinemas distribuíam óculos especiais, mas somente com a invenção do formato IMAX em 1986 o 3D passou a ter um protagonismo próprio.

O Festival de Cannes teve início este ano com a exibição do desenho animado em 3D de "Up, Altas Aventuras", da Disney-Pixar.

Ainda para este ano os fãs esperam com impaciência o lançamento de "Avatar", de James Cameron, o diretor de "Titanic". O alemão Win Wenders trabalha em um filme sobre a coreógrafa Pina Bausch, que faleceu há alguns meses.

O 3D se estabeleceu nos cinemas, mas a Sony e as concorrentes esperam que o mesmo saia em breve das salas para substituir o 2D como novo parâmetro na televisão.

"Agora o objetivo é a sala de estar", disse Tanger.

"No momento, a grande desvantagem é que nos falta material", afirmou à AFP Joern Ostermann, diretor do Laboratório de Informação e Tecnologia da Universidade Leipniz, na cidade alemã de Hanover.

"Mas isto está mudando", completa.

Mas a Sony não é a única a movimentar as fichas, já que outras empresas como a também japonesa Panasonic e a sul-coreana Hyundai também se preparam, o que faz prever uma possível guerra de formatos quando as tecnologias rivais se enfrentarem para ver qual será a norma.

A Sony tem experiências diferentes na disputa. Nos anos 80 apostou nas fitas de vídeo Betamax, mas perdeu para o formato VHS da rival JVC. No ano passado, no entanto, conseguiu a revanche, com seu formato Blu-Ray batendo o HD DVD da Toshiba.

O novo televisor da Sony alterna a imagem para o olho esquerdo e o olho direito, enquanto óculos especiais abrem e fecham de forma sincronizada com a imagen do aparelho, dando a impressão de profundidade.

Mas a tecnologia avança de forma tão rápida que em breve os óculos podem ficar obsoletos.

aue/fp

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