Solução para anemia infantil está no prato

Solução para anemia infantil está no prato Por Fabiana Caso São Paulo, 23 (AE) - Alimentação inadequada e falta de informação contribuem para um problema de grandes proporções no Brasil: a anemia infantil. Estima-se que 45% das crianças brasileiras, de até 5 anos, apresentem esse quadro, em todas as classes sociais (dados do Unicef).

Agência Estado |

Como medida preventiva, o governo obriga que as farinhas sejam enriquecidas com ferro, porém, especialistas alegam que nem sempre a qualidade desse nutriente é fiscalizada.

Por definição, a anemia caracteriza-se pela diminuição dos glóbulos vermelhos, os responsáveis pelo transporte de oxigênio no sangue. Nos casos mais graves, pode haver repercussão no sistema nervoso, gerando dificuldade de aprendizado ou até problemas cardíacos. A causa mais comum é a deficiência de ferro, responsável por 99% dos casos.

Os bebês que nascem prematuros têm alta propensão à anemia, porque é durante o último trimestre da gestação que a maior parte do ferro se acumula no embrião. Há, porém, outros fatores, como a tendência hereditária para apresentar doenças que causam anemia.

Deve-se desconfiar quando a criança apresenta palidez (especialmente na palma da mão e na língua) e sinais de cansaço, ficando sem energia até mesmo para brincar. Para a surpresa de muitos, os médicos são taxativos: recomendam o consumo da carne vermelha, por ser a melhor fonte de ferro. Apesar de as verduras e leguminosas conterem o nutriente, a absorção pelo organismo é muito menor. Os vegetarianos devem, como alternativa, intensificar o uso de verduras verdes escuras na dieta e dar suplementação de ferro às crianças, com a devida orientação médica.

"A cultura alimentar do Brasil predispõe a um baixo consumo de ferro: as carnes vermelhas estão entrando em desuso. Come-se muita massa, principalmente pães, que são pobres em ferro", comenta o pediatra e professor do Departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), Claudio Leone, que também é presidente do Departamento Científico de Nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Uma das principais causas da anemia é a alimentação inadequada a partir dos 6 meses, quando a criança deixa de ter o leite materno como alimento exclusivo. Uma boa matriz alimentar, desde essa fase de transição, previne o problema. "A partir dos 6 meses, a criança deve comer de tudo, com a introdução lenta e progressiva dos novos itens." O pediatra recomenda sucos de frutas, vegetais e carnes. "A partir dos 2 anos, a criança deve estar ingerindo tudo o que faz parte do cardápio adulto."

O pediatra e nutrólogo, responsável pela unidade de Nutrologia do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo, Ary Lopes Cardoso, diz que as mães não estão sabendo dar a alimentação correta para as crianças. "Os pediatras andam tão voltados para as emergências que não orientam sobre isso." O principal erro, acrescenta, é demorar para introduzir os alimentos na fase de transição, depois dos 6 meses de vida do bebê. "Outro erro é, depois do período de amamentação, dar leite de caixinha para a criança. Deve-se oferecer o leite com fórmula enriquecida ou, então, suplemento de ferro."

A boa notícia é que existem tratamentos eficazes para a anemia. Quando aparece em grau leve, pode-se sanar o problema apenas corrigindo a alimentação. Nos casos mais sérios, a criança toma suplementação de ferro: geralmente, em um mês o quadro pode ser revertido. Se a situação é extremamente grave, pode haver necessidade de uma transfusão de sangue.

Para os bebês prematuros, recomenda-se oferecer suplementação de ferro (em gotas) por um logo período, mesmo que não desenvolvam o quadro.

ENFRENTANDO O PROBLEMA
A despachante Viviane Lolis, de 30 anos, revolta-se contra a prática pediátrica. Seu filho Matheus, de 2 anos e 9 meses, começou a ter gripes fortíssimas já aos 5 meses. "A pediatra do convênio sempre achava tudo normal, dizia que era bronquite e passava antibióticos para ele tomar", lembra. Informada, Viviane fazia parte de grupos de discussão de mães. Com a continuidade das gripes, decidiu levar o filho a um pediatra particular, que lhe pediu exames. Foi então que teve o diagnóstico de refluxo gastroesofágico, doença que também causa a anemia. Mas, àquela altura, o grau da anemia de Matheus já era grave. "Por isso que a resistência dele era tão baixa."

Depois da descoberta do problema, ficou mais fácil de atacar as causas. Matheus está tomando suplementação com ferro, em forma de xarope. E a mãe continua seguindo a rigorosa dieta alimentar que sempre proporcionou ao filho: um cardápio que inclui verduras, carnes e sucos.

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