As equipes de resgate da capital paulista vão utilizar a partir da próxima semana uma nova arma para salvar vidas no trânsito paulistano. Pela primeira vez no Sistema Único de Saúde (SUS) será disponibilizado um soro diferenciado, que aumenta a chance de sobrevivência do acidentado até chegar ao hospital.

A substância, ainda inédita, é uma estratégia para driblar o intervalo médio de socorro das vítimas graves que, nos últimos cinco anos, subiu de 7 para 15 minutos, devido aos altos índices de congestionamento.

Para vencer as filas de veículos que travam o trajeto entre o local da ocorrência e a unidade hospitalar mais próxima, o Grupo de Resgate de Atendimento de Urgência (Grau), da Secretaria de Estado da Saúde, em parceria com o Corpo de Bombeiros, definiu ontem o protocolo de utilização do apelidado "soro da vida". É uma solução hipertônica, com maior quantidade de cloreto de sódio do que o soro convencional, que aumenta em 400% a capacidade para reter água no corpo do paciente, mantendo a pressão arterial estável por mais tempo.

"Atendemos 15 vítimas graves por dia. Nosso principal desafio é vencer o trânsito", diz a gerente operacional do Grau, a médica Júnia Shizue Sueoka, que está na linha de frente do resgate desde 1992.

A marca atual para a ambulância chegar à vítima é 87% maior do que os oito minutos considerados ideais pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Mas a "briga" contra o tempo em SP enfrenta adversários de peso, como o aumento explosivo da frota, que saiu de 4,7 milhões para 6,1 milhões na última década, e a conseqüente queda da velocidade dos carros nos horários de pico, que está em 17km/h contra 25 km/h alcançados em 1998.

"Quanto maior a espera para os primeiros socorros, maior o risco de seqüelas", lamenta Antônio Onimaru, membro da Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Traumatizado. "A morte é a conseqüência extrema, mas há o perigo do comprometimento cerebral de quem permaneceu longo período em parada cardiorrespiratória."

Chances

A Sociedade Paulista de Cardiologia já contabilizou o impacto do trânsito. Enquanto na capital paulista o índice de sobreviventes de parada cardíaca é menor do que 2%, em cidades menos congestionadas, o coeficiente chega a 8% dos casos.

O novo soro, que tem custo médio de R$ 25 (dez vezes mais caro do que o convencional), será aplicado já no trabalho de primeiros socorros em vítimas com traumatismo craniano grave ou em choque com hemorragia . "A técnica vem sendo utilizada com bons resultados em países da Europa", diz Mauro Pimentel, farmacêutico do laboratório alemão Fresenius Kabi, fabricante do soro . Inédita no serviço público de saúde do Brasil, a substância é pouco conhecida até entre as equipes de resgate particular.

"Durante seis meses, vamos avaliar a eficácia do produto. Inicialmente, o soro será utilizado em vítimas encaminhadas para os hospitais referência em trauma (Hospital das Clínicas, Mandaqui, Santa Marcelina de Itaquera, além da Santa Casa de Misericórdia)", fala a supervisora médica do Grau, Carla Abgussen. "Se os resultados forem tão positivos como esperamos, vamos adotá-lo como padrão." As informações são do Jornal da Tarde .

AE

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.