O tenente Roger Marcel Vitiver Soares de Souza, que estava preso na penitenciária Militar Romão Gomes, em São Paulo, desde o dia 16 de dezembro, foi libertado e chegou hoje a Bauru para se apresentar ao serviço no 4º BPM/I. Juntamente com outros cinco policiais que comandava, ele é acusado da prática de tortura e homicídio qualificado contra o menor Carlos Rodrigues Junior, cuja morte provocou manifestação popular e grande repercussão.

Ao descobrirem que uma moto roubada de um mototaxista encontrava-se no quintal da casa do menor, os policiais entraram na casa, deixando o menor preso no quarto, e o torturaram com choques elétricos enquanto a mãe e a irmã eram mantidas sob vigilância na sala. Os policiais só saíram do local aproximadamente meia hora depois, levando a vítima para a Pronto-Socorro Municipal, onde chegou morta. Laudo da polícia científica constatou que Rodrigues levou pelo menos 15 choques.

Vizinhos do menor promoveram uma passeata no bairro, quando queimaram pneus e madeira e depredaram a sinalização de trânsito e fachadas de casas comerciais. O governador José Serra (PSDB) antecipou-se ao processo judicial e mandou o Estado indenizar a família. Dias depois, a polícia constatou que o morto era realmente o autor do furto da moto e já havia participado de outras ocorrências.

Os outros cinco policiais - cabo Gérson Gonzaga e os soldados Emerson Ferreira, Juliano Arcângelo, Ricardo Ottavianni e Maurício Delasta - foram libertados no dia 15 de abril e apresentaram-se ao trabalho interno no quartel. O tenente permaneceu preso porque seu processo foi suspenso quando seu advogado pediu o afastamento do processo do juiz Benedito Antonio Okuno, da 1ª Vara, alegando ter cessado sua imparcialidade. O magistrado mandou libertar um preso que alegava ter confessado um crime mediante tortura praticada pelo tenente.

O próprio Okuno rejeitou o afastamento e encaminhou a decisão em grau de recurso ao Tribunal de Justiça do Estado, que a ainda não julgou a questão. A libertação do oficial foi determinada em habeas-corpus impetrado por sua defesa no Superior Tribunal de Justiça. Os seis policiais agora responderão em liberdade o processo-crime e a sindicância administrativa.

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