Solteira e sem filhos tem remuneração maior, aponta pesquisa

SÃO PAULO - A mulher melhor inserida no mercado de trabalho na região Metropolitana de São Paulo é a solteira e sem filhos. Pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e da Fundação Seade revela que, em 2008, elas tinham o melhor rendimento médio, de R$ 8,98 por hora trabalhada. Na outra ponta, mulheres sem marido e com filhos tinham rendimento médio de R$ 5,39.

Agência Estado |

Segundo a pesquisadora do Seade, Márcia Guerra, a diferença se acentua pois as mães solteiras acumulam funções de chefe de família e de dona de casa. "Quando não é a única provedora da casa, é a principal", diz ela. "Para cuidar dos filhos, aceita ocupações com menos garantias trabalhistas e horários mais flexíveis", diz ela, lembrando que o grupo tem a menor taxa de carteiras assinadas (31,4%) e a maior incidência das empregadas domésticas: 25,5% em 2008. Segundo Márcia, a melhoria de políticas públicas como a qualidade das creches ajudaria a reverter o quadro.

Já as que moram sozinhas são, em geral, mais novas e com maior escolaridade. "Elas adiaram o casamento e a hora de ter filhos para se dedicar mais ao trabalho", afirma Márcia. A renda mensal dessas mulheres era, no ano passado, de R$ 1.154, e a taxa de desemprego, de 8,9% - a menor dentre os grupos.

A engenheira Mariana Ramalho, de 25 anos, trabalha há dois como consultora e não pretende pensar em casamento em menos de quatro anos. Seu rendimento médio de R$ 3 mil, calcula, não seria suficiente para sustentar filhos. "Quero fazer uma pós-graduação e crescer na profissão antes de morar com alguém", diz.

Menos que os homens

A remuneração média da mulher na Região Metropolitana, no entanto, ficou mais distante da do homem em 2008. A pesquisa mostrou que os ganhos reais delas correspondiam a 76,3% do ganho deles. O índice era 77,9% em 2007.

Segundo a socióloga do Dieese, Patrícia Lino Costa, o motivo principal foi a entrada de mulheres nos setores de comércio e serviços em funções mal remuneradas, enquanto a mão de obra masculina alimentou, em 2008, o crescimento da indústria, com salários maiores. "Enquanto o rendimento das mulheres caiu 0,9%, para R$ 5,76 por hora, o dos homens cresceu 1%, para 7,53%. A diferença ainda é alta", afirma ela.

Por Paulo Darcie

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