Soldados brasileiros teriam espancado policiais haitianos

Por Joseph Guyler Delva PORTO PRÍNCIPE (Reuters) - Dois policiais haitianos foram espancados violentamente por membros brasileiros das forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) dentro da maior e mais violenta favela do Haiti, afirmaram uma autoridade municipal e testemunhas na quinta-feira.

Reuters |

Segundo os relatos, o ataque aparentemente gratuito contra os dois oficiais à paisana identificados como Osnald Denis e Donson Bien-Aime aconteceu na quarta-feira, na Cité Soleil, um gigantesco amontoado de barracos localizado na parte sul da capital haitiana, Porto Príncipe.

O prefeito da Cité Soleil, Wilson Louis, em um relato confirmado por várias testemunhas, contou à Reuters que cerca de dez membros brasileiros das forças de paz participaram do espancamento.

'Posso confirmar que os dois policiais foram violentamente espancados por soldados brasileiros da missão de paz da ONU', disse Louis.

'Lamentamos e condenamos esse comportamento e os responsáveis por isso devem ser punidos', acrescentou.

Segundo testemunhas, os soldados da ONU mandaram que os policiais deixassem uma área durante uma operação de segurança realizada nas estreitas ruas e vielas da favela, antes controlada por gangues armadas cujos líderes eram, em sua maioria, leais ao presidente deposto Jean-Bertrand Aristide.

Os dois policiais identificaram-se, mas foram espancados mesmo assim, um deles até ficar inconsciente. A agressão aconteceu depois de ambos terem se recusado sair da área, disse uma das testemunhas que afirmou chamar-se Maxon Edouard.

Segundo Louis, os policiais estavam recebendo tratamento médico em um hospital local. Oficiais graduados das forças de segurança do Haiti não foram encontrados para se manifestar sobre o incidente.

No entanto, Souphie Boutaud de la Combe, porta-voz da ONU, disse que o incidente estava sendo investigado e prometeu que as sanções apropriadas seriam impostas caso se confirmem as acusações de abuso e de uso de força excessiva.

A força de paz da ONU -- atualmente formada por 6.800 soldados e quase 2.000 policiais -- regressou ao Haiti depois da deposição de Aristide em meio a uma rebelião armada ocorrida em fevereiro de 2004.

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