Sociedade de imprensa compara Lula a Chávez

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) - que congrega 1.300 veículos no continente - fez um alerta em seu último relatório, divulgado anteontem em Assunção, para ameaças à liberdade de expressão em praticamente toda a América Latina.

Agência Estado |

No Brasil e em outros países, o risco reside na retórica agressiva de governantes, entre eles o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, citado no documento como autor de “críticas desmedidas” à imprensa toda vez que o enfoque do noticiário ou de um comentário não lhe agrada. Lula é comparado ao presidente venezuelano Hugo Chávez, que usa uma “retórica agressiva” contra a imprensa e os jornalistas. De acordo com o documento, há riscos a exercício da liberdade de expressão por causa da violência em países como Venezuela, Paraguai, México e Cuba.

De acordo com a entidade, que reuniu 250 empresários e editores, somente desde outubro, seis jornalistas foram mortos nas Américas em consequência de sua profissão. Foram quatro no México - Luís Mendéz, Armando Rodriguez, Miguel Ángel Villa Goméz e David Garcia. Também ocorreram no país ataques contra profissionais e seus locais de trabalho. Mais um jornalista, David Zambrano, foi morto na Venezuela e outro, Martin Ocampo, no Paraguai. Em Cuba, apesar da saída de Fidel Castro e sua substituição por Raúl Castro, ainda há 26 jornalistas presos, cumprindo sentenças de até 28 anos.

Entre os casos concretos citados no relatório da SIP sobre o presidente brasileiro, destaca-se o episódio da entrevista na revista Piauí, na qual ele afirmou que a leitura dos jornais lhe dá “azia” e a quase expulsão, em 2004, do jornalista Larry Rother, então correspondente do New York Times, que publicou reportagem sugerindo que havia uma “preocupação nacional” com supostos excessos do presidente no consumo de bebida alcoólica. Lula determinou o cancelamento do visto de Rother, o que levaria à sua expulsão, mas voltou atrás.

O Palácio do Planalto não respondeu às críticas da SIP. Segundo a assessoria de imprensa, o governo não recebeu todo o relatório, mas somente um extrato dele, o que dificultaria a resposta. A Associação Nacional de Jornais (ANJ) informou, de acordo com sua assessoria, que o documento reflete o pensamento da entidade, já que o próprio presidente do Comitê de Liberdade de Expressão, Júlio César Mesquita, participou de sua elaboração. O presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maurício Azêdo, classificou de “exagerado” o relatório da SIP. “O presidente faz reparos à imprensa, mas não a persegue.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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