Sobe para 63 o total de mortos pelas chuvas em Santa Catarina

FLORIANÓPOLIS - O número de mortos pelas enchentes em Santa Catarina chegou a 63, segundo informações da Defesa Civil. O Estado segue em alerta para o risco de deslizamentos, alagamentos e novas enchentes.

Redação com Agência Estado |

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No Estado, 14.511 pessoas estão desabrigadas e os desalojados chegam a 28.543. Os desabrigados são pessoas que tiveram que sair de suas casas e precisam da ajuda do Estado. Já os desalojados são pessoas que foram obrigadas a sair de suas casas por conta dos danos das chuvas, mas que não precisam de ajuda do Estado pois podem ir para casas de parentes ou amigos.

Ilhota é a cidade com o maior número de mortos: são 15, segundo a Defesa Civil. Em Blumenau, uma das cidades mais atingidas, 13 pessoas morreram e 150 mil estão sem energia elétrica. O número de munícipios isolados subiu para oito. Estão sem contato com outros locais por conta de queda de barreiras ou de pontes os municípios de São Bonifácio, Luiz Alves, São João Batista, Rio dos Cedros, Garuva, Pomerode, Itapoa e Benedito Novo.  

A Defesa Civil de Santa Catarina também trabalha com o conceito de "afetados" - mais de 1,5 milhão de pessoas -, que são todos aqueles que tiveram sua vida alterada de alguma maneira, seja porque o ônibus não podia passar ou porque o telefone não funciona, por exemplo.

As chuvas também causaram a ruptura de um tubo de gás entre as cidade de Luiz Alves e Gaspar e, por isto, o abastecimento de gás está interrompindo do município de Guaramirim até Rio do Sul.

AE

Helicópteros e botes a motor estão sendo utilizados ininterruptamente para resgatar pessoas, segundo a Defesa Civil. Os Estados vizinhos Rio Grande do Sul e Paraná vão participar das operações de resgate a partir desta segunda-feira, atendendo a um pedido do governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB).

situação deve continuar nos próximos dias já que a previsão do tempo, de acordo com a Defesa Civil do Estado, é de mais chuvas para esta semana, principalmente no Litoral, Vale do Itajaí e Planalto Norte.

Blumenau

O nível do Rio Itajaí-açu baixou para a marca de 10,86 metros na manhã desta segunda-feira, no centro de Blumenau, segundo boletim da Defesa Civil. A marca era de 11,52 metros na madrugada, o que causou inundação em 250 ruas da cidade. Os secretários Nacional e Estadual de Defesa Civil e o governador do Estado, Luiz Henrique da Silveira, vão se reunir na manhã de hoje para definir as medidas a serem adotadas nas regiões afetadas.

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O rio Itajaí-Mirim transbordou e alagou a cidade de Brusque

Na cidade de Blumenau, já foram registradas 10 mortes e o prefeito João Paulo Kleinubing declarou estado de calamidade pública na noite de domingo. No sábado, ele já havia decretado situação de emergência, mas, devido ao agravamento do quadro na cidade, com novas quedas de barreiras e enxurradas, optou-se pela calamidade.

Para esta segunda-feira, a expectativa é receber 1 mil colchões e 10 botes a motor enviados do Paraná pelo Exército. O grande desafio para esta segunda-feira será abastecer os abrigos com medicamentos e alimentos, dise o prefeito. Até a noite de domingo, a cidade tinha cerca de 800 pessoas em abrigos e 4.200 na casa de amigos, parentes ou vizinhos. O prédio da Prefeitura da cidade ficará fechado para atendimento ao público.

As autoridades do município recomendam que as pessoas não saiam de casa. Segundo o diretor Telmo Duarte, vários pontos, nos bairros, estão em situação de risco.

"Mesmo com a diminuição da intensidade das chuvas e o nível do rio diminuído, a terra está muito encharcada e continua oferecendo riscos", avisou Duarte, aconselhando as pessoas a levarem consigo apenas objetos pessoas, colchão e alguma roupa para facilitar a mobilização. As escolas públicas e particulares no município permanecem sem aulas até que a situação se normalize na cidade.

Situação das rodovias

Além das diversas casas atingidas por deslizamentos de terra e da cheia de rios, muitas estradas do Estado estão interditadas por queda de barreiras e alagamentos. Veja aonde as rodovias estão fechadas para o tráfego:

  • BR-101: nos quilômetros 235, 163 ao 169, 113, 99, 192, 140, 268, na ponte dos Navegantes e na ponte de Tijucas lado sul
  • BR-280: nos quilômetros 69, 73, 35, 79
  • BR-376: nos quilômetros 670 e 684, incluindo a divisa entre Paraná e Santa Catarina
  • BR-470: nos quilômetros 33, 41 e 57
  • SC-401: no quilômetro 14
  • SC-474, 416 e 418: interditadas no acesso a Blumenau
  • SC-410: na altura que liga a BR-101 a Governador Celso Ramos
  • SC- 302: no quilômetros 147
  • SC-466: no quilômetro 71
  • SC-408: nos quilômetros 0 e 5
  • SC-411: nos quilômetros 5 e 7,9
  • SC-470: nos quilômetros 5, 15, 17 e 38

O trânsito está sendo feito por meia pista nas rodovias: SC-438, no quilômetro 137; SC-404, no quilômetro 3.300;  SC-438, no quilômetro 138; SC-430, no quilômetro 29;  SC-486, no quilômetro 14.

Estão alagados os quilômetros: 88, da SC-408; 5,19 e 35 da  SC-470; 5, 15,19, 20 e 35 da  SC-470

Recomendações

Em seu site, a Defesa Civil recomenda que, no caso de alagamentos, a população evite o contato com as águas que podem estar contaminadas e causar doenças. Outro conselho é não dirigir em lugares alagados.

Moradores de áreas vulneráveis a deslizamentos devem ficar atentos para o aparecimento de fendas, depressões no terreno, rachaduras nas paredes das casas e inclinações de troncos de árvores ou postes.

A comunidade pode acionar a Defesa Civil através do telefone 199. Veja outras recomendações para os moradores .

Governo federal

O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, aproveitou a reunião ministerial com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para acertar os termos da medida provisória (MP) que vai destinar recursos federais ao socorro das vítimas das enchentes em Santa Catarina e à recuperação da infra-estrutura do Estado.

"Nesta fase mais emergencial, estamos dando mais atenção às pessoas, mas já contatei o Planejamento e recebi sinal para levantar o que pode ser liberado para obras de infra-estrutura, como a recuperação de pontes e rodovias", anunciou ele, pouco antes de embarcar da Base Aérea de Brasília para Florianópolis.

Acionado pelo ministro no fim de semana, o secretário Nacional de Defesa Civil, Roberto Guimarães, viajou imediatamente para Santa Catarina e passou o dia de hoje sobrevoando as áreas mais afetadas, para levantar os estragos tomar medidas emergenciais.

Porém, ao menos por enquanto, ninguém falou em cifras. "Como estamos no auge da crise, ainda não dá nem para se ter idéia de custo da tragédia", disse Geddel. Segundo ele, o que se sabe hoje é que o custo é alto e a situação, crítica. "Mas o levantamento mais detalhado só sairá depois das medidas emergenciais."

Preocupado com a extensão da tragédia que, de acordo com a Defesa Civil estadual, deixou 23 mil catarinenses desabrigados e causou 50 mortes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez questão de telefonar ao governador catarinense, Luiz Henrique da Silveira, durante a reunião. Segundo Geddel, o ministério já enviou às vítimas 12 mil cestas, com 286 toneladas de alimentos, 12 mil colchões, 12 mil cobertores e igual número de toalhas e travesseiros, além de 2,4 mil kits de desinfecção para purificar a água destinada ao consumo.

(Com informações da Reuters)

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