Sobe para 6 número de casos da nova gripe no Brasil

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Ministério da Saúde anunciou nesta sexta-feira que o número de casos confirmados da gripe H1N1 no Brasil subiu de quatro para seis e informou que um paciente do Rio de Janeiro foi o primeiro a contrair a doença sem ter deixado o país. O outro caso adicional foi registrado em Santa Catarina, cuja Secretaria Estadual da Saúde confirmou o resultado positivo nos exames de em uma criança de 7 anos que esteve nos Estados Unidos de férias.

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Já o caso carioca, o segundo no Estado, é de um amigo de um paciente cujo resultado positivo foi divulgado na quinta-feira, o que indica que houve transmissão da gripe H1N1 de pessoa para pessoa em território brasileiro, algo inédito até então no país.

"Com a confirmação desse caso, se caracteriza a transmissão do vírus no país. No entanto, é uma transmissão limitada", declarou a jornalistas o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, no Rio.

Por conta dessa transmissão, 108 pessoas que tiveram contato com os dois rapazes antes da confirmação da doença estão sendo monitoradas. Nenhuma delas apresenta sintomas, porém a orientação é que permaneçam em casa, em quarentena voluntária, segundo Temporão.

"Não existe possibilidade de epidemia. A detecção dos casos é uma mostra que o trabalho está dando certo. Pelo que está acontecendo no mundo, a situação aqui é bastante razoável", disse Temporão em entrevista coletiva.

O primeiro paciente internado no Rio de Janeiro por causa da doença a contraiu durante viagem ao México, e acabou transmitindo ao amigo porque só procurou atendimento médico um dia após retornar ao país, quando sentiu os primeiros sintomas da gripe. Ele é o único dos quatro primeiros casos anunciados pelo ministério na quinta-feira a permanecer internado.

Os outros três -- dois em São Paulo e um em Minas Gerais -- apresentaram boa recuperação clínica e já receberam alta, assim como a criança de Santa Catarina.

Segundo o ministro, o primeiro paciente do Rio passa bem, não apresenta sintomas, mas segue internado por precaução para que não transmita o vírus a outras pessoas.

"NADA MUDA"

Apesar de o Brasil ter se tornado o sétimo país com transmissão do vírus H1N1 constatada, Temporão afirmou que nenhuma medida adicional será adotada para tentar combater a doença.

No entanto, o comitê de coordenação formado pelo governo para acompanhar a gripe no Brasil e no exterior vai se reunir na segunda-feira.

"Nada muda do ponto de vista de enfrentamento. Vamos manter o monitoramento em portos, aeroportos, estradas e fronteiras. Vamos manter a mobilização da vigilância e manter os hospitais preparados e vamos manter a população bem informada", disse.

Mais cedo nesta sexta-feira, o Ministério da Saúde havia informado que 30 casos eram considerados suspeitos no país, 10 deles em São Paulo. Temporão não informou se o número sofreu alteração após as novas confirmações.

O primeiro país da América do Sul a ter caso da gripe confirmado foi a Colômbia. Na quinta-feira, a Argentina também confirmou seu primeiro caso. Em todo o mundo, já existem mais de 3.000 casos confirmados, segundo os últimos números da Organização Mundial de Saúde.

No México, centro da epidemia, 45 pessoas morreram vítimas do H1N1. Estados Unidos, com duas mortes, e Canadá, com uma, são os outros únicos países com vítimas fatais confirmadas da doença, que na maioria dos casos teve consequências mais brandas para os pacientes.

Nesta sexta-feira, a OMS manteve o alerta pandêmico mundial no nível 5 (numa escala que vai até 6), pois o vírus da gripe H1N1 ainda não ganhou força fora das Américas.

Sylvie Briand, diretora interina do programa global de influenza da OMS, disse que a maioria das pessoas infectadas pela nova cepa ao redor do mundo importou o vírus de viagens ao México ou esteve muito próximo de pessoas que viajaram.

A fase 5 indica que uma pandemia é "iminente" e sinaliza a governos ao redor do mundo que se preparem para combatê-la. Para decretar fase 6, a OMS teria de verificar a disseminação do novo vírus de forma sustentada em um país fora das Américas.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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