Sobe para 32 o número de mortos em naufrágio no Amazonas

SÃO PAULO - Homens do Corpo de Bombeiros encontraram nesta terça-feira mais 15 corpos de vítimas do naufrágio do barco Comandante Sales 2008, que ocorreu na madrugada de domingo, no Rio Solimões, na altura do município de Manacapuru, a 68 quilômetros de Manaus, no Amazonas. Com isso, sobe para 32 o número de mortos, 17 dos quais já identificados pelas famílias no Instituto Médico Legal (IML) de Manaus.

Redação com agências |

Entre as vítimas encontradas, 10 são homens, quatro são mulheres e uma é criança, segundo informações dos bombeiros. Dois corpos, segundo o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Antunes Dias, estavam na área do acidente e dois a cerca de 60 quilômetros rio abaixo. As buscas foram intensificadas hoje, pois após 48 horas os corpos tendem a boiar. Hoje é o Dia D da operação", explicou Antunes.

AE
Há pelo menos 60 pessoas trabalhando nas buscas, entre integrantes da Marinha, Defesa Civil, bombeiros, policiais civis e militares. Sete embarcações circulam em mais de 60 quilômetros do Solimões, desde o local do acidente até as proximidades da capital do Amazonas.

Antunes informou que mais barcos pequenos serão incorporados às buscas e o efetivo do Corpo de Bombeiros deve aumentar de 40 para 70. Não há prazo para encerrar o trabalho, mas o comandante disse que as chances de encontrar as vítimas "são maiores após 48 horas, quando os corpos emergem, por isso a intensificação dos trabalhos neste terceiro dia". Depois, acrescentou, os corpos tendem a submergir e podem ser atacados por peixes, dificultando os trabalhos.

Na segunda-feira, o barco foi reflutuado e trazido para mais próximo de Manacapuru. As buscas pelas vítimas do naufrágio foram retomadas nesta terça-feira, com um efetivo mais de 100 homens.

No domingo, o comando do 9º Distrito Naval da Marinha divulgou nota informando que a embarcação não tinha inscrição na Capitania dos Portos e, portanto, estava com documentação irregular. Um dos identificados como mortos, Francisco Alves de Sales, seria o proprietário da embarcação.

Durante inspeção naval, realizada em janeiro, o barco chegou a ser apreendido exatamente por não possuir a papelada legal nem tripulação habilitada para navegação.

Inicialmente, a Marinha disse que se tratava da embarcação "Comandante Sales". Na tarde da segunda-feira, após a reflutuação do barco, descobriu-se que o nome correto é "Comandante Sales 2008". A Marinha confirma que nenhuma das duas é inscrita na Capitania dos Portos.

Investigações

O Ministério Público abriu inquérito para apurar as responsabilidades pelo naufrágio. Segundo o escrivão da delegacia onde o inquérito foi aberto, Ricardo Coelho, estão sendo colhidos depoimentos e declarações de sobreviventes e os corpos estão sendo velados por suas famílias.

Coelho afirma que os sobreviventes ouvidos até o momento têm relatos parecidos do que aconteceu no dia. Segundo eles, o barco navegava normalmente quando surgiu um rebojo, expressão regional que significa um movimento inesperado da água, e o barco afundou parcialmente.

Segundo a Marinha, os próximos passos da investigação serão a confecção de laudos, perícias e entrevistas de mais testemunhas.

O acidente

O acidente com o barco Comandante Sales ocorreu por volta de 5h30 da manhã de domingo. Os passageiros da embarcação retornavam de uma festa realizada na comunidade "Pesqueiro", em frente à cidade de Manacapuru, do outro lado do rio Solimões.

O Corpo de Bombeiros informou ainda que 15 mergulhadores e mais 40 homens da corporação participaram do primeiro dia da operação de resgate das vítimas. Pelas condições do rio, o trabalho pode durar mais dois dias, de acordo com o sargento Marimar.

'O rio é largo e turvo, o que dificulta as operações, que podem se estender por mais dois ou três dias pelo menos', disse.


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"O barco estava vindo de uma comunidade do interior com destino a Manacapuru. Em certas épocas, eles vão ao interior para as festas, e na hora de voltar se amontoam todos em qualquer barco que aparece, que costumam não registrar as pessoas que entram", afirmou à Reuters por telefone o sargento Marimar.

Esse é o segundo naufrágio em rios amazônicos neste ano. Em fevereiro, a embarcação Almirante Monteiro  afundou após o choque com a balsa Carlos Eduardo, que transportava combustíveis e se deslocava para o município de Itacoatiara, a cerca de 170 quilômetros de Manaus.

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