Sobe para 24 o número de mortos em confrontos na zona norte do Rio de Janeiro

RIO DE JANEIRO ¿ A Polícia Militar informou nesta terça-feira que subiu para 24 o total de mortos em decorrência dos ataques ocorridos no último sábado na zona norte do Rio de Janeiro. De acordo com a corporação, entre os mortos estão 18 criminosos, três policiais e três moradores. O balanço não inclui o corpo de um homem encontrado em um carrinho de supermercado na tarde desta terça-feira em um acesso ao Morro dos Macacos.

Redação |

Nesta terça-feira, soldados do 22º BPM (Maré) realizaram uma operação na favela de Manguinhos. Segundo a PM, o serviço de inteligência recebeu a informação de que um traficante que teria participado da tentativa de invasão ao Morro dos Macacos estava escondido na comunidade. Houve troca de tiros, mas ninguém ficou ferido. Um menor foi detido e armas e drogas foram apreendidas.

Por causa do confronto, as aulas na Escola Municipal Professora Maria de Cerqueira e Silva, localizada na avenida Leopoldo Bulhões, no trecho conhecido como Faixa de Gaza, foram interrompidas. Policiais militares entraram na escola para fazer uma vistoria por segurança, mas nada foi localizado.

Reuters

Após confrontos, policiamento é reforçado na região do Morro dos Macacos

Também nesta terça-feira, soldados do 6º BPM (Tijuca) realizam uma operação no Morro do Borel, na Tijuca, zona norte do Rio. Ainda não há informações sobre prisões, feridos ou apreensões.

Já nos morros dos Macacos, São João, da Matriz e Quieto, região onde teve início o confronto do fim de semana, não estão sendo realizadas novas operações. No entanto, segundo a PM, o policiamento nesses locais está reforçado. Agentes estão localizados nos principais acessos às comunidades e a ocupação não tem previsão de término.

O policiamento também segue reforçado no Morro do Juramento e nas favelas Nova Holanda e Parque União, no Complexo da Maré, da Chatuba, na Baixada Fluminense, e do Jacarezinho, na zona norte do Rio.

Operações de segunda-feira

Nesta segunda-feira, a Polícia Militar realizou operações em favelas do Rio para tentar localizar os responsáveis pelos ataques de sábado. Na favela do Jacarezinho, soldados do 3º BPM (Méier) prenderam um homem suspeito de ter participado da invasão ao Morro dos Macacos . Na mesma comunidade, os policiais apreenderam uma pistola e uma grande quantidade de pedras de crack, trouxinhas de maconha e papelotes de cocaína.

Na favela de Manguinhas, agentes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) apreenderam quatro motos roubadas. No Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, no Centro do Rio, um carro roubado foi recuperado por policiais do 1º BPM (Estácio). Na favela Parque União, no Complexo da Maré, um suposto criminoso foi morto e uma pistola foi apreendida por soldados do 22º BPM (Maré).

Já na favela da Chatuba, a PM apreendeu munições, drogas e armas, entre elas um rifle .30 antiaéreo, de uso exclusivo do Exército . A corporação ainda não confirmou se a arma encontrada foi a mesma usada para derrubar o helicóptero da PM no tiroteio de sábado.

Início dos confrontos

A onda de violência no Rio de Janeiro teve início quando traficantes do Complexo do Alemão e do Jacarezinho invadiram o Morro dos Macacos, por meio do Morro São João, por volta das 3h do último sábado. Assim, começou uma guerra pela disputa de pontos de venda de drogas no Morro dos Macacos.

Uma operação policial, com 120 homens, começou na favela para pôr fim à violência. Porém, um helicóptero da Polícia Militar que dava cobertura a ação foi abatido a tiros por criminosos. Ao ser atingida, a aeronave explodiu causando a morte dos policiais Marcos Macedo e Edinei Canavarro de Oliveira.

Futura Press

Helicóptero cai em campo de futebol após ser atingido por tiros

Nesta segunda-feira, morreu mais um soldado que estava no helicóptero . O cabo Iso Gomes Patrício estava internado no Hospital da Força Aérea, na Ilha do Governador, com queimaduras em cerca de 80% do corpo. Seu estado era considerado gravíssimo.

Além das três vítimas fatais, ficaram feridos o piloto Marcelo Vaz de Souza, o copiloto Marcelo Mendes e o policial Anderson dos Santos. Os dois primeiros receberam alta na noite de segunda-feira . Somente Anderson dos Santos segue internado, em quadro estável.

Cerca de 800 pessoas participaram nesta tarde do sepultamento do cabo Izo Gomes Patrício, 36 anos, terceiro tripulante do helicóptero da Polícia Militar do Rio que morreu após o equipamento ser abatido por traficante do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, na manhã de sábado. Familiares evitaram fazer críticas à corporação e disseram que o policial morreu como herói.

Assista ao vídeo sobre o mapa do tráfico de drogas no Rio:

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