O Instituto Médico Legal (IML) de Manaus informou nesta segunda-feira que subiu para 17 o número de mortos no naufrágio ocorrido no domingo com o barco Comandante Sales 2008, no Rio Solimões, no Amazonas. Até ontem à noite, eram 15 as vítimas fatais no acidente, conforme informou, no início da manhã de hoje o 9º Distrito Naval da Marinha.

As buscas às vítimas do naufrágio recomeçaram às 6 horas desta segunda-feira. Inicialmente, havia sido informado que pelo menos 16 pessoas tinham morrido no acidente. Entretanto, em razão de um equívoco na contagem, o número oficial de mortos foi reduzido para 15 .

Foto:Agência Estado

Dos 17 corpos encaminhados ao IML, 15 já foram identificados. São eles:

Rigson Pereira da Silva
Jader Balbino Lopes
Maria Antonia da Costa Maciel
Marcelo de Souza Pereira
Rosimeire Marques de Araújo
Lucimeire da Silva Sales
Francisco Alves de Sales
Ednalva de Souza Coelho
Maria Raquel de Souza Ripardo
Audilene Gomes Macedo
Tanucia Silva de Assis
Alzenira Ribeiro da Silva
Pedro Henrique de Lima Ferreira Filho
André Araújo de Sales
Antunesvaldo Mendes de Souza

No domingo, o comando do 9º Distrito Naval da Marinha divulgou nota informando que a embarcação não tinha inscrição na Capitania dos Portos e, portanto, estava com documentação irregular . Um dos identificados, Francisco Alves de Sales, seria o proprietário da embarcação.

Durante inspeção naval, realizada em janeiro, o barco chegou a ser apreendido exatamente por não possuir a papelada legal nem tripulação habilitada para navegação.

Inicialmente, a Marinha disse que se tratava da embarcação "Comandante Sales". Na tarde desta segunda-feira, após a reflutuação do barco até a cidade de Manacapuru, descobriu-se que o nome correto é "Comandante Sales 2008". A Marinha confirma que nenhuma das duas é inscrita na Capitania dos Portos.

O Ministério Público abriu inquérito para apurar as responsabilidades pelo naufrágio. Segundo o escrivão da delegacia onde o inquérito foi aberto, Ricardo Coelho, estão sendo colhidos depoimentos e declarações de sobreviventes e os corpos estão sendo velados por suas famílias.

Coelho afirma que os sobreviventes ouvidos até o momento têm relatos parecidos do que aconteceu no dia. Segundo eles, o barco navegava normalmente quando surgiu um rebojo, expressão regional que significa um movimento inesperado da água, e o barco afundou parcialmente.

O prefeito da cidade de Manacapuru, cidade próxima da região do Solimões onde ocorreu o naufrágio, decretou esta segunda-feira como ponto facultativo.

O acidente

O acidente com o barco Comandante Sales ocorreu por volta de 5h30 da manhã. Os passageiros da embarcação retornavam de uma festa realizada na comunidade "Pesqueiro", em frente à cidade de Manacapuru, do outro lado do rio Solimões.

O Corpo de Bombeiros informou ainda que 15 mergulhadores e mais 40 homens da corporação participam da operação de resgate das vítimas. Pelas condições do rio, o trabalho pode durar mais dois ou três dias, de acordo com o sargento Marimar.

'O rio é largo e turvo, o que dificulta as operações, que podem se estender por mais dois ou três dias pelo menos', disse.


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"O barco estava vindo de uma comunidade do interior com destino a Manacapuru. Em certas épocas, eles vão ao interior para as festas, e na hora de voltar se amontoam todos em qualquer barco que aparece, que costumam não registrar as pessoas que entram", afirmou à Reuters por telefone o sargento Marimar.

Esse é o segundo naufrágio em rios amazônicos neste ano. Em fevereiro, a embarcação Almirante Monteiro  afundou após o choque com a balsa Carlos Eduardo, que transportava combustíveis e se deslocava para o município de Itacoatiara, a cerca de 170 quilômetros de Manaus.

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