Sobe para 120 o número de mortos após enchentes em Santa Catarina

FLORIANÓPOLIS - A Defesa Civil de Santa Catarina confirmou nesta sexta-feira mais uma morte em decorrência das enchentes no Estado. Uma senhora, cujo nome não foi divulgado pela Defesa Civil, foi encontrada por volta das 12h em Gaspar, e já foi reconhecida por familiares e sepultada. No total, 120 pessoas morreram e 31 seguem desaparecidas após as chuvas que atingiram a região.

Redação com Agência Estado |

Acordo Ortográfico Nesta manhã, o Corpo de Bombeiros Voluntários havia encontrado o corpo de Valmir Raulino, de 44 anos, que foi soterrado por um deslizamento de terra na noite de sábado. Com ele, o número de vítimas fatais havia aumentado para 119.

De acordo com a Defesa Civil, todos os moradores do local onde ele estava já tinham sido retirados, porém, Raulino teria retornado sem autorização e estaria desaparecido desde então.

As buscas por outros desaparecidos recomeçou nesta quinta-feira com homens do Corpo de Bombeiros, equipes da Força Nacional de Segurança e cães farejadores vindos de vários Estados.

Apesar dos 31 desaparecidos, militares estimam que o número seja bem maior, já que corpos podem estar entre os destroços dos desmoronamentos na região do Morro do Baú, um complexo de montes que foram evacuados e lacrados pelo risco de novas vítimas.

A operação de busca pelos corpos é o último passo para que o trabalho da Força Aérea e das equipes que participam dos salvamentos seja concluído. Na manhã desta quinta-feira, cerca da metade do efetivo já estava sendo desmobilizado e muitas pessoas que trabalhavam no centro de operações de Navegantes há quase duas semanas puderam voltar para a casa.

Aos poucos os moradores tentam retomar suas rotinas, da maneira que for possível. Alunos das escolas municipais de Itajaí já foram avisados que as aulas serão retomadas na segunda-feira.

Doações somam mais de R$ 19,5 mi

As doações em dinheiro feitas aos castigados pelas chuvas em Santa Catarina já somam mais de R$ 19,5 milhões. São nove contas bancárias disponíveis para quem quer ajudar.

Suprimentos também estão sendo doados. Já são 2,5 milhões de quilos de alimentos, 1,5 milhão de litros de ágia e 180 toneladas de roupas, brinquedos e produtos de higiene pessoal.

O governo do Estado chegou a divulgar um comunicado para que não acontecessem mais doações, porque não havia estrutura para receber o material no Estado, mas um esquema logístico foi montado e a solidariedade deve continuar.

Quem quer doar deve entrar em contato com o Departamento de Defesa Civil do seu Estado. Para agendar o envio de doações o contato deve ser feito pelo telefone: (48) 4009 9886.

Menos desabrigados

Caiu para 32.946 o número de desalojados e desabrigados em Santa Catarina, sendo 5.710 desabrigados e 27.236 desalojados. A tendência, segundo o major Emerson Emerin, gerente de mobilização de desastres da Defesa Civil, é que esse número diminua a cada momento.

"A diminuição das chuvas e a liberação de algumas áreas atingidas está proporcionando a volta de muitas pessoa para casa. Cerca de 24 mil pessoas já retornaram às suas moradias", disse o major.

Doenças

Os períodos após as enchentes são marcados por doenças como leptospirose e infecções intestinais. A Secretaria de Saúde de Santa Catarina informou que já recebeu a notificação de 144 casos suspeitos de leptospirose no Estado e cinco casos foram confirmados.

A secretaria alerta que o período de incubação da leptospirose, que é transmitida por roedores domésticos, vai de um a 30 dias após o contato com o agente infeccioso, e os sintomas variam desde febre alta, dor de cabeça e dores musculares, até quadros mais graves, podendo ocorrer icterícia (coloração amarelada em pele e mucosas), insuficiência renal, hemorragias e alterações neurológicas que podem levar à morte.

As recomendações para evitar a contaminação são de que as populações atingidas pela enchente devem evitar o contato com a água restante das chuvas e a lama acumulada.

Dragagem de canal

O governador de Santa Catarina, Luiz Henrique (PMDB), anunciou nesta sexta a liberação da licença ambiental para a dragagem emergencial do canal de acesso ao Porto de Itajaí, concedida pela Fundação do Meio Ambiente (Fatma). O local ficou assoreado após a enchente.

Luiz Henrique ressaltou a importância da agilidade dos trabalhos para que o funcionamento das operações volte ao normal o mais breve possível. Segundo o prefeito de Itajaí, Volnei Morastoni, 70% da economia do município está diretamente ligada ao Porto.

Conforme a bióloga da Fatma Suzana Trebien, a licença foi concedida em caráter emergencial, devido à situação de calamidade pública decretada pelo município. "Analisamos toda a documentação e vimos necessidade imediata da obra", comenta. Neste caso não serão exigidas medidas compensatórias.

De acordo com os dados da batimetria (medição da profundidade do rio) existem pontos no canal com profundidade de apenas oito metros. Em outros, a profundidade chega a 22 metros.

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