Sobe para 110 número de mortos no RJ, buscas são intensificadas

Por Rodrigo Viga Gaier RIO DE JANEIRO (Reuters) - O número de mortos pelo temporal que paralisou o Rio de Janeiro na terça-feira chegou a 110 em todo o Estado, informou nesta quarta-feira o Corpo de Bombeiros, que aproveitou a trégua da chuva na capital para intensificar as buscas.

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No Morro do Prazeres, na zona norte do Rio, um menino de 8 anos, que lutava para sobreviver sob os escombros há mais de 24 horas, não resistiu e morreu pouco antes de ser resgatado.

Bombeiros cobertos de lama lamentavam não ter conseguido salvar o menino, que estava debaixo da terra desde a madrugada de terça-feira e ainda conversava com as equipes de resgate nesta manhã.

"Prometi ao pai dele que ia tirar o garoto com vida, mas não consegui", disse o sargento dos bomberios Luis Carlos dos Santos, com lágrimas nos olhos.

Ao menos 18 pessoas morreram soterradas dentro de suas casas no Morro dos Prazeres, onde o deslizamento de terra provocado pelas águas das chuvas pegou os moradores de surpresa durante a noite de segunda, quando começou a tempestade.

"Casa é o de menos, eu queria as minhas filhas de volta. Eu moraria até debaixo da ponte com elas", lamentou a moradora Gildana da Silva, que perdeu duas filhas, de 14 e 19 anos, na tragédia.

Integrantes da Força Nacional de Segurança foram enviados pelo governo federal para ajudar nas operações no Rio de Janeiro nesta quarta-feira. Segundo os bombeiros, Niteróoi tem a situação mais crítica, onde possivelmente há mais vítimas e onde os trabalhos acontecem com mais intensidade.

A capital do Estado começava a retornar à normalidade, mas ainda existiam problemas, especialmente na zona oeste da cidade com o alagamento da Linha Amarela, ligação entre as zonas norte e oeste da cidade.

Não foram registrados novos deslizamentos de terra durante a noite, mas o prefeito Eduardo Paes disse nesta quarta que ainda há possibilidade de voltarem a ocorrer e reiterou o apelo feito na véspera para que moradores de áreas de risco busquem abrigos em outros locais.

"Desloca-se quem puder, mas se puder adiar uma reunião, não precisar ir para o centro da cidade, a gente pede para evitar se deslocar dadas as restrições que a gente enfrenta", disse a jornalistas.

PREVISÃO DE CHUVA

Segundo o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) deve continuar a chover no Rio de Janeiro ao menos até sábado.

De acordo com os números dos Bombeiros, Niterói, na região metropolitana, registrou 60 mortes e, na capital, foram 43 óbitos. A chuva também deixou mortos em São Gonçalo, Nilópolis, Duque de Caxias e Petrópolis. Ainda há 54 pessoas desaparecidas no Estado.

O temporal também deixou milhares de pessoas desabrigadas e desalojadas, principalmente no Rio de Janeiro, São Gonçalo e Niterói, que decretou luto oficial de sete dias em memória das vítimas das chuvas, registradas no Estado desde o final da tarde de segunda-feira até esta quarta-feira.

A prefeitura de Niterói, a cidade mais afetada pelas chuvas, pediu uma ajuda ao governo federal de 15 a 20 milhões de reais para a remoção de famílias em áreas de risco e a reconstrução de novas moradias.

De acordo com governo estudual, 2.000 pessoas serão desapropiadas de áreas de risco em todo o Estado. Apenas na capital, há 10 mil residências em áreas de risco após o registro de pelo menos 180 deslizamentos.

Paes tem reunião prevista nesta quarta-feira com o governador Sérgio Cabral Filho e com o ministro da Integração Nacional, João Santana, na capital fluminense. Cabral e Santana também realizaram encontro com prefeitos de outras 11 cidades afetadas pelas chuvas nas regiões serrana e metropolitana.

Os transportes, como trens, metrô e aeroportos, funcionavam normalmente nesta quarta-feira, porém 10 bairros da capital continuavam sem energia elétrica.

A exemplo do que aconteceu na terça-feira, as redes municipal e estadual de ensino tiveram as aulas canceladas nesta quarta-feira, as particulares seguiram a orientação.

O temporal afetou também o futebol, com o adiamento da partida entre Flamengo e Universidad do Chile, pela Copa Libertadores, que estava marcada para esta quarta-feira no Maracanã. O estádio ficou inundado e o gramado completamente alagado após o rio localizados nos arredores transbordar.

(Com reportagem da Reuters TV)

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