O Rio de Janeiro cumpriu a meta de criminalidade em três dos quatro indicadores considerados estratégicos pela Secretaria de Segurança Pública do estado: roubos de rua, roubos de veículo e latrocínio (roubo seguido de morte). Ficou devendo no número de homicídios dolosos, que aumentaram 1,3%. Divulgados nesta segunda-feira, os dados comparam os resultados obtidos em 2009 em relação ao ano anterior.

Foram 5.794 mortos em 2009, contra 5.717 mortos em 2008, em números reunidos pelo Instituto de Segurança Pública (ISP). O balanço, no entanto, poderia ser ainda pior se o ritmo de homicídios no ano seguisse o padrão do primeiro semestre.

Nos seis primeiros meses de 2009, eles cresceram 12% em relação ao mesmo período do ano anterior ¿ índice que despencou para uma queda de 9% no segundo semestre (sempre em relação ao mesmo período de 2008).

As metas, no entanto, foram traçadas para o segundo semestre de 2009, a partir de um planejamento feito pela Secretaria de Segurança Pública. No caso dos homicídios, a meta definida havia sido de uma redução de 11,7%. Apesar de não ter atingido esse patamar, a queda de 9% foi comemorada pelo secretário José Mariano Beltrame, que creditou ao trabalho realizado a partir do segundo semestre.

Com os dados, porém, a Secretaria de Segurança reviu para baixo a meta de redução dos homicídios para o primeiro semestre de 2010: quer 6,33% menos mortos no estado em relação ao mesmo período do ano passado. Era uma meta muito ousada, disse o subsecretário de Planejamento, Roberto Sá, referindo-se à meta de queda de 11,7% traçada para o segundo semestre de 2009.

Um decreto publicado em janeiro determinou o encurtamento do prazo para a premiação dos policiais civis e militares que cumprirem metas de redução da criminalidade. O prêmio passou a ser semestral, como uma forma de incentivar o cumprimento de metas em menor espaço de tempo. Daí o uso dos dados semestrais. Os policiais que cumpriram as metas receberão R$ 500 cada. Aqueles que integraram a região com os melhores resultados terão o prêmio de R$ 1.500 cada. O prêmio vale para a redução de homicídio doloso, roubo de veículos e roubos de rua.

Indicadores

De 12 indicadores de criminalidade de 2009 apresentados nesta segunda-feira, houve melhora em metade. Encontro de cadáver (-19%), homicídio culposo no trânsito (-13,8%), roubo de veículo (-10,1%) e latrocínio (-6%) foram as quedas mais significativas. Em compensação, o roubo a residência cresceu 11,3%. Também subiu estupro (7,1%) e roubo de rua (2,2%).

O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, se disse satisfeito com os resultados, mas foi comedido na comemoração. Estamos felizes com esses dados, mas não são a solução de todos os problemas do Rio, afirmou. Eles mostram à sociedade que estamos com base técnica para trabalhar, mas não tem de comemorar muito. Há ainda muito o que fazer, justificou.

Ao lado do chefe da Polícia Civil, delegado Allan Turnowski, do chefe do Estado-Maior, coronel Álvaro Rodrigues, e do subsecretário de Planejamento da Secretaria de Segurança, Roberto Sá, Beltrame ressaltou o papel das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) para a redução dos homicídios. Na medida em que tiramos de circulação armas de guerra, a tendência são as taxas caírem, defendeu. Apesar do crescimento de 1,3% nos homicídios em 2009, o Rio manteve a tendência de queda da taxa por 100 mil habitantes (34,6% ano passado, contra 34,7% em 2008 e 37,9% em 2007).

As UPPs começaram a ser instaladas em favelas do Rio em dezembro de 2008. Depois de começar o projeto do morro Dona Marta, agora já são seis UPPs instaladas em nove favelas ¿ a última, que ocupará a Ladeira dos Tabajaras e o Morro dos Cabritos, em Copacabana, zona sul do Rio, foi inaugurada em janeiro. A meta do governo estadual é que, até o fim de 2010, 40 favelas e 300 mil moradores sejam beneficiados pela ocupação policial .

Integração das polícias

Os representantes das polícias Civil e Militar sublinharam ainda o papel da integração crescente entre as duas corporações. É uma integração na base, que é mais difícil, disse o coronel Álvaro Rodrigues. Beltrame destacou a criação de metas comuns, mas admitiu que será preciso avançar mais no policiamento ostensivo.

Mas já avanços, segundo ele, e explicam os melhores resultados obtidos pela atividade policial. Cresceu o número de prisões (22,1%), apreensão de drogas (13,3%) e cumprimento de mandado de prisão (10%). Caiu o número de armas apreendidas (-6,5%) e autos de resistência (-7,8%). Beltrame afirmou que, embora tenha caído o número de armas apreendidas, cresceu a qualidade das armas que apreendemos. A estratégia das UPPs, diz o secretário, é acabar com "ditadura" dos traficantes armados com fuzis.

Leia também:

Leia mais sobre homicídios

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.