Sobe número de homicídios no Rio, e governo reduz meta para 2010

O Rio de Janeiro cumpriu a meta de criminalidade em três dos quatro indicadores considerados estratégicos pela Secretaria de Segurança Pública do estado: roubos de rua, roubos de veículo e latrocínio (roubo seguido de morte). Ficou devendo no número de homicídios dolosos, que aumentaram 1,3%. Divulgados nesta segunda-feira, os dados comparam os resultados obtidos em 2009 em relação ao ano anterior.

Rodrigo de Almeida, iG Rio de Janeiro |

Foram 5.794 mortos em 2009, contra 5.717 mortos em 2008, em números reunidos pelo Instituto de Segurança Pública (ISP). O balanço, no entanto, poderia ser ainda pior se o ritmo de homicídios no ano seguisse o padrão do primeiro semestre.

Nos seis primeiros meses de 2009, eles cresceram 12% em relação ao mesmo período do ano anterior ¿ índice que despencou para uma queda de 9% no segundo semestre (sempre em relação ao mesmo período de 2008).

As metas, no entanto, foram traçadas para o segundo semestre de 2009, a partir de um planejamento feito pela Secretaria de Segurança Pública. No caso dos homicídios, a meta definida havia sido de uma redução de 11,7%. Apesar de não ter atingido esse patamar, a queda de 9% foi comemorada pelo secretário José Mariano Beltrame, que creditou ao trabalho realizado a partir do segundo semestre.

Com os dados, porém, a Secretaria de Segurança reviu para baixo a meta de redução dos homicídios para o primeiro semestre de 2010: quer 6,33% menos mortos no estado em relação ao mesmo período do ano passado. Era uma meta muito ousada, disse o subsecretário de Planejamento, Roberto Sá, referindo-se à meta de queda de 11,7% traçada para o segundo semestre de 2009.

Um decreto publicado em janeiro determinou o encurtamento do prazo para a premiação dos policiais civis e militares que cumprirem metas de redução da criminalidade. O prêmio passou a ser semestral, como uma forma de incentivar o cumprimento de metas em menor espaço de tempo. Daí o uso dos dados semestrais. Os policiais que cumpriram as metas receberão R$ 500 cada. Aqueles que integraram a região com os melhores resultados terão o prêmio de R$ 1.500 cada. O prêmio vale para a redução de homicídio doloso, roubo de veículos e roubos de rua.

Indicadores

De 12 indicadores de criminalidade de 2009 apresentados nesta segunda-feira, houve melhora em metade. Encontro de cadáver (-19%), homicídio culposo no trânsito (-13,8%), roubo de veículo (-10,1%) e latrocínio (-6%) foram as quedas mais significativas. Em compensação, o roubo a residência cresceu 11,3%. Também subiu estupro (7,1%) e roubo de rua (2,2%).

O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, se disse satisfeito com os resultados, mas foi comedido na comemoração. Estamos felizes com esses dados, mas não são a solução de todos os problemas do Rio, afirmou. Eles mostram à sociedade que estamos com base técnica para trabalhar, mas não tem de comemorar muito. Há ainda muito o que fazer, justificou.

Ao lado do chefe da Polícia Civil, delegado Allan Turnowski, do chefe do Estado-Maior, coronel Álvaro Rodrigues, e do subsecretário de Planejamento da Secretaria de Segurança, Roberto Sá, Beltrame ressaltou o papel das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) para a redução dos homicídios. Na medida em que tiramos de circulação armas de guerra, a tendência são as taxas caírem, defendeu. Apesar do crescimento de 1,3% nos homicídios em 2009, o Rio manteve a tendência de queda da taxa por 100 mil habitantes (34,6% ano passado, contra 34,7% em 2008 e 37,9% em 2007).

As UPPs começaram a ser instaladas em favelas do Rio em dezembro de 2008. Depois de começar o projeto do morro Dona Marta, agora já são seis UPPs instaladas em nove favelas ¿ a última, que ocupará a Ladeira dos Tabajaras e o Morro dos Cabritos, em Copacabana, zona sul do Rio, foi inaugurada em janeiro. A meta do governo estadual é que, até o fim de 2010, 40 favelas e 300 mil moradores sejam beneficiados pela ocupação policial .

Integração das polícias

Os representantes das polícias Civil e Militar sublinharam ainda o papel da integração crescente entre as duas corporações. É uma integração na base, que é mais difícil, disse o coronel Álvaro Rodrigues. Beltrame destacou a criação de metas comuns, mas admitiu que será preciso avançar mais no policiamento ostensivo.

Mas já avanços, segundo ele, e explicam os melhores resultados obtidos pela atividade policial. Cresceu o número de prisões (22,1%), apreensão de drogas (13,3%) e cumprimento de mandado de prisão (10%). Caiu o número de armas apreendidas (-6,5%) e autos de resistência (-7,8%). Beltrame afirmou que, embora tenha caído o número de armas apreendidas, cresceu a qualidade das armas que apreendemos. A estratégia das UPPs, diz o secretário, é acabar com "ditadura" dos traficantes armados com fuzis.

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